O primeiro trimestre de 2009 registrou um saldo positivo de 177 vagas de emprego formais no mercado de trabalho de Bauru. Apesar da crise financeira mundial, os setores produtivos da cidade conseguiram estabilizar o nível de emprego e, mesmo que em número modesto, criar novos postos de trabalho. Apesar do desempenho negativo em março, quando a cidade perdeu 27 vagas, no trimestre o saldo é de 0,20% de emprego - 11.984 pessoas foram contratadas e 11.807, demitidas.
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho. O setor que mais ajudou Bauru a fechar o trimestre com saldo positivo de emprego foi o de serviços, que teve saldo de 747 postos de trabalho no período.
O economista Reinaldo Cafeo, que é vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), ressalta que o setor terciário, que engloba comércio e serviços, da cidade é forte. “A cidade vem se especializando no setor de recuperação de crédito e jurídica. São setores que tendem a ter melhor desempenho em períodos de crise”, comenta. E o comércio, frisa, emprega no final do ano, tem uma sobrevida no início do ano com as liquidações, desova de estoque, até que em determinado momento, na crise, as vendas caem e fecham postos de trabalho”, analisa.
Já a indústria, ressalta Cafeo, sente a crise em momentos diferentes, dependendo do setor. “As encomendas de final de ano para a indústria elevam a produção a partir de setembro, até dezembro. Depois, tem queda. O setor alimentício, por exemplo, ainda não teve impacto porque as vendas continuam. Mas Bauru concentra indústria de baterias automotivas, que reduziu a produção porque depende das exportações, que caíram”, analisa.
No trimestre, o saldo de emprego industrial na Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, que compreende 17 municípios, é negativo (-4,09%), o que significa o fechamento de mil postos de trabalho. Considerando todos os setores do emprego formal, Bauru, na análise dos últimos 12 meses, segue com saldo positivo de empregos de 4,88% - contratou 50.259 pessoas e demitiu 46.182 pessoas.
Outro setor que fechou o trimestre com saldo positivo foi agropecuária, que contratou 550 e demitiu 334.“A crise demora mais a refletir na agricultura do que em outros setores. Passaremos a sentir a partir de maio e junho, quando vamos começar a comercializar a safra deste ano. Até lá, o setor tem pleno emprego porque o ano nosso está correndo. É diferente da indústria, do comércio”, explica Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp).
Na avaliação de Lima Verde, apesar da crise, em junho, o setor contratará ainda mais para a colheita da próxima safra. “Vamos ter safra de laranja, café e cana que precisará ser colhida. Precisaremos contratar”, comenta. A crise poderá causar desemprego no setor apenas quando a colheita acabar e começar o plantio da próxima safra. “Aí é que vamos ver o impacto da crise no setor”, finaliza.
Já o setor que proporcionalmente mais desempregou no trimestre foi a construção civil, com fechamento de 2,62% das vagas de trabalho, seguido da indústria da transformação, que teve saldo negativo de 2,04%.