Levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde mostra que o número de crianças e adolescentes com idade entre 10 e 18 anos que procuram tratamento intensivo para se livrar do vício em cocaína e crack mais do que dobrou no Estado. Passou de 179, em 2006, para 371, em 2008. O número representa um aumento de 107% na procura. O trabalho demonstra ainda que os consumos de cocaína e do crack têm se tornado mais freqüente e intenso.
A busca por tratamento intensivo é a mais comum, informa a assessoria de imprensa da pasta. Nesses casos, o paciente precisa de atendimento prolongado, com 22 sessões ao mês, nos Caps. Em alguns casos, há a necessidade de internação. “Os adolescentes têm utilizado cada dia mais o que eles chamam de ‘petilho’, que é a mistura de cigarro com as pedras de crack. E, antes mesmo que eles percebam, já são totalmente dependentes”, afirma a psiquiatra e diretora do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, Luizemir Lago.
É importante que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos, explica. Desinteresse pelas atividades cotidianas, agressividade excessiva e perda de peso são alguns dos principais sintomas. O drama, em algumas famílias, vai muito além de sinais. O diretor-executivo do Esquadrão da Vida, Edmundo Muniz Chaves, conta que um de seus pacientes chamava o traficante para ameaçar a vida do pai, sempre que ele se recusava a lhe dar dinheiro para comprar a droga.
Internação
Em casos como esses, Chaves defende internação compulsória, assim como o promotor da vara da Infância e Juventude, Lucas Pimentel. “Tratamento ambulatorial, eles não vão. O que não podemos é ficar de braços cruzados observando adolescentes consumirem drogas e serem consumidos por elas”, comenta Pimentel. Ele já identificou no Estado várias clínicas que internam compulsoriamente. Mas há quem não aposte na medida, uma vez que o restabelecimento do jovem dependeria de seu interesse, uma vez que exigirá esforço. Mas o promotor defende também a busca ativa de jovens com problema.
De acordo com Pimentel, o volume de famílias que se dirige ao MP para requerer judicialmente a internação aumentou significativamente. Uma senhora, por exemplo, tem três filhos viciados. Também vive em estado de tensão a família de um adolescente de 13 anos que, no final do ano passado, ameaçou se jogar de uma torre de energia elétrica de alta tensão.
Conforme o JC divulgou na época, ele subiu a uma altura de 20 metros e somente desceu ao chão depois de ser convencido pelas equipes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Os pais do menino disseram que ele havia consumido crack e discutido com eles. Já queixaram-se também pela dificuldade de internação.