Cultura

Bauruense vence categoria de figurino por ‘Chega de Saudade’

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

O bauruense André Simonetti foi um dos indicados que levou para casa um troféu Grande Otelo. Conhecido como “Oscar do Cinema Brasileiro”, o Grande Prêmio Vivo, entregue anteontem no Rio de Janeiro, premiou o figurinista por seu trabalho em “Chega de Saudade”.

“É sempre um reconhecimento. Ainda mais com um tema como um baile, onde o figurino acaba certamente contribuindo, de alguma maneira, para contar a história de cada personagem. E o prêmio significa que você conseguiu fazer isso”, conta o figurinista ao JC Cultura sobre o trabalho no longa, que conta, em uma única noite, várias histórias vividas pelos freqüentadores de um salão de baile.

Segundo André, a elaboração do figurino para o filme contou com idas e mais idas aos salões de bailes paulistanos, além da visita ao Clube da Vovó, em Bauru, cidade para onde o figurinista vêm com freqüência, embora residente em São Paulo há quase 20 anos. “Fiquei sabendo que iria trabalhar no filme quando estava em Bauru, visitando minha família. Pedi logo para que meu irmão me levasse em algum baile e ele me mostrou o Clube da Vovó. Foi um baile ótimo, nos divertimos muito e comecei a sentir mesmo o que era e o que iria fazer aí”, lembra.

Para ele, o principal objetivo de seu trabalho em “Chega de Saudade” era ressaltar o estilo de cada personagem. “Eram todos muito diversos e, apesar da idade, muitos deles são muito sensuais. Por isso, optamos por vestidos bem rodados, tecidos leves e roupas para mulheres que estavam muito à vontade com seu corpo. São mulheres e homens muito vaidosos”, explica.

Dividindo a disputa na categoria melhor figurino, também estavam Cao Albuquere (“Romance”), Marisol Grossi (“Estômago”), Reka Koves (“Meu Nome Não è Johnny”), Renée April (“Ensaio Sobre a Cegueira”) e Bia Salgado (“Última Parada 174).

Publicitário por formação, André foi descobrindo aos poucos sua identificação com as áreas de figurino e cinema. “Embora sempre cinéfilo, tudo aconteceu muito devagar. Comecei fazendo figurino para publicidade e os longas vieram por volta de 1995. Fui experimentando, gostando e foi dando certo”, resume.

O primeiro trabalho no cinema foi “Ação Entre Amigos”, no qual André era assistente de Cristina Camargo. Depois vieram “Domésticas”, “Querô”, “Cafundó” e “Carandiru”, entre outros. “Cidade Baixa” foi o primeiro em que André assinou sozinho o figurino e com o qual também ele foi indicado pela primeira vez ao Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro.

Seu último trabalho é em “Reflexões de um Liquidificador”, ainda não lançado, de André Klotzel, diretor dos filmes “A Marvada Carne” e “Memórias Póstumas”.

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