No tempo em que o ribeirão Bauru não era tão poluído como está agora, “olha bem faz um tempão que o ribeirão era menos poluído do que agora”. Bem, como eu estava a contar, eu fui pescar no tal ribeirão na ponte que fica na divisa do município de Pederneiras com Boracéia, onde o dito cujo deságua no rio Tietê. E eu quase sempre encontrava por aquelas bandas um pirangueiro que era o sr. Jesus, da padaria União da Vila Falcão. Eta homem que gostava de pegar os lambaris de rabos vermelhos que dava muito naquela época. “Que Deus o tenha em bom lugar”. Bem, eu tinha pego muitos lambaris até a hora do almoço, aí a fome apertou. Fui comer o meu lanche na sombra de uma árvore e me sentei bem à vontade sobre um tronco da referida árvore, mas não vi que tinha a companhia de uma grande cobra. Ela estava bem debaixo do tronco que eu estava sentado, tremi de medo mas fiquei imóvel e ela vem saindo bem devagarinho debaixo do tronco da árvore, com aquela língua entra e sai da boca e vai subindo na árvore, e eu ali paralisado de medo. Nessa hora eu esqueci da fome. Quando a cobra subiu na árvore, saí de lá numa disparada e nem fiquei sabendo que cobra era aquela, só sei que era marrom com listra amarela. E o susto foi grande, só sei que acabou a pescaria naquele dia para mim.
Esta foi uma das minhas pescarias em que eu passei um sufoco. Tempo depois chegou a poluição naquele ribeirão, que é uma judiação, e nunca mais fui para aquelas bandas pescar. Mas valeu pela saudade que me deu.
Florindo Martins - contador de histórias de pescarias