A falta de estratégia, de capacidade de negociação política e de gestão, combinada com erros na elaboração de critérios para a apresentação na campanha salarial deste ano, leva a administração Rodrigo Agostinho (PMDB) a ter de discutir, ainda nesta sexta-feira, pelo menos quatro alternativas para sair da encruzilhada em torno da promessa de pagamento de abono aos mais de 5 mil servidores, além de 1.963 inativos. As simulações para tentar conseguir aprovação legislativa, incluindo inativos e sem causar frustração nos servidores ativos, contam com propostas de abono com diferentes percentuais e prazo de duração.
A engenharia para sair da enrascada política criada pelos próprios desacertos do governo também tem “teses” que trocam abono em percentual por benefício em Reais. Mas, dependendo da escolha a ser apresentada hoje, ela pode enterrar de vez a promessa do jovem prefeito de reestruturar a grade de servidores e, ainda, de abrir concursos para preencher vazios em inúmeras carreiras ainda neste ano.
De fato, as simulações em curso dentro da Secretaria Municipal de Administração têm como limite o esgotamento das receitas para custear salário. O próprio prefeito já antecipou, ainda durante o início da rodada de negociações com o Sindicato dos Servidores (Sinserm), no mês passado, que os 6% de reposição da inflação mais os 25% de abono (apenas para os servidores ativos) “eram o limite”.
Agostinho afirmou, ainda, que não poderia abrir mão de uma “reserva” estratégica de R$ 4 milhões para preencher vagas por concursos imprescindíveis ainda em 2009. Também recuou por mais de uma vez na negociação, errou por repetidas vezes na fixação de regras por decreto e, agora, tenta encontrar uma saída administrativa-financeira para se livrar do imbróglio político, colocando em risco a reestruturação funcional.
As simulações
Entre as simulações discutidas até ontem à noite pelo governo municipal, uma que pode despontar com maior “força” seria a de garantir o abono para ativos e aposentados até fevereiro de 2009 - como lançado no início da negociação salarial - mas com percentual inferior aos 25% oferecidos. O índice depende da matemática em torno da capacidade de pagar a despesa.
A vantagem dessa alternativa seria garantir o pagamento a aposentados sem modificar o tempo de duração. Mas a pressão pelo custeio, aliada à redução no percentual, tem o inconveniente de gerar reações adversas nos servidores que comemoraram em março a “valorização das carreiras” do meio para o topo da pirâmide do funcionalismo, sobretudo os que respondem por chefias e contam com nível superior.
A segunda discussão versaria sobre manter os 25% anunciados, mas com duração menor. A redução em planilha poderia alcançar perto de outubro deste ano, ou algo próximo disso: situação que agrada a alguns e é rechaçada por outros do próprio governo.
Outras duas alternativas poderiam estabelecer R$ 160,00 lineares ou algo um pouco maior, em torno de R$ 175,00. O limite da indecisão e dos problemas que o governo municipal foi capaz de gerar, transformando notícia boa em nó, tratou de criar outras elucubrações. Daí ao raciocínio da inexperiente assessoria em torno até de um índice diferente para cada mês não foi difícil.
A engenharia encontrada pelo Executivo para tentar resolver o impasse pode ser anunciada hoje.