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Comoção marca velórios e enterros

Por Ricardo Santana | Com Ademir Naressi
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto cantavam a Canção do Bombeiro, integrantes da corporação choravam inconformados com a morte precoce do sargento Wesley Ferreira, 35 anos, enterrado ontem à tarde em Bauru. Wesley e o tenente Matheus Augusto Bercke, 28 anos, morreram anteontem à noite ao tentar resgatar um pedreiro soterrado numa fossa no Jardim Paineiras. O enterro de ambos com honras militares - Wesley em Bauru e Bercke em Pirassununga -, foi marcado pela comoção de familiares, amigos e bombeiros.

O sargento completaria 36 anos no próximo dia 25, quando certamente seria saudado com festa pelos colegas acostumados a conviver com a figura brincalhona e otimista, atitude que ajudava na profissão de risco. Essas e outras qualidades de Wesley foram ressaltadas no pronunciamento do cabo Carlos Alberto Oliveira, responsável pela mensagem de despedida do Corpo de Bombeiros ao companheiro de corporação.

O capitão Miguel Ângelo Minozzi citou que Wesley, que morava em Iacanga com a família, era uma pessoa calma e sorridente. Dos 16 anos de corporação, oito foram atuando em Bauru. Minozzi comenta que Wesley, apesar de jovem, acumulava grande experiência por ter trabalhado em todas as áreas do Corpo de Bombeiros.

No currículo, o sargento possuía inúmeros cursos de salvamento e resgate. Na tarde de anteontem, Wesley faria mais um salvamento, o que acabou interrompendo a carreira de um profissional acostumado a evitar tragédias. Nada que se fizesse ou dissesse, ontem, consolaria as duas filhas, a esposa e vários parentes que se despediram de Wesley junto com amigos e policiais da corporação. O filho de 3 anos foi poupado.

“Você é nosso herói”, disse uma das familiares antes que o caixão fosse lacrado e descesse ao túmulo. No momento, familiares retiraram as duas filhas do bombeiro que aparentavam não acreditar que não encontrariam mais o pai.

Wesley recebeu todas as homenagens militares, com cortejo sobre o tradicional carro de Bombeiros salva de tiros e toque de corneta, além da Canção dos Bombeiros. A música cantada pelos amigos de farda reafirma a coragem de quem se dispõe diariamente a colocar a vida em risco para garantir a vida de outros.

O corpo do sargento foi velado ontem na Base do Corpo de Bombeiros da Vila Falcão. Na seqüência, um grande cortejo de carros oficiais e de particulares levou o corpo sobre o caminhão de Bombeiros até o cemitério do Jardim do Ypê. Por volta das 14h20, Wesley foi sepultado no mausoléu da Polícia Militar. No sepultamento, também estavam presentes inúmeros integrantes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Polícia Militar Rodoviária.

Pirassununga

O tenente Bercke foi sepultado no final da tarde de ontem em Pirassununga, onde mora sua família, com honras militares. O corpo, que chegou por volta das 8h30 da manhã, foi velado no Cemitério Municipal até as 16h30, quando foi conduzido para a Igreja de São Benedito para celebração da missa de corpo presente. De lá, o cortejo foi conduzido pelos colegas de farda até as proximidades da sepultura ao som das sirenes das viaturas policiais do Corpo de Bombeiros, do Policiamento de Área, do Policiamento Rodoviário e da Rocam.

Antes do sepultamento, o tenente Bercke recebeu uma homenagem de tiros de festim e o toque de silêncio por militares do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizada, unidade do Exército com sede na cidade de Pirassununga. Na seqüência foi entoado pelos presentes a Canção do Bombeiro e, em seguida, o coronel Navarro, atual comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, fez a entrega da bandeira brasileira à mãe do policial, a agricultora Ana Odila Baldim Bercke, que estava ao lado do marido o também agricultor Moacir Bercke.

O coronel Antonio Batista Camilo, comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo que acompanhou o funeral, falou, bastante emocionado, com os pais do policial. Mais de 200 policiais militares de patentes diversas, de todas as divisões da Polícia Militar do Estado de São Paulo, se fizeram presentes na última homenagem ao colega.

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Tenente morto iniciaria curso

O tenente Matheus Bercke, 27 anos, estava vivendo um excepcional momento na carreira no Corpo de Bombeiros. Natural de Pirassununga, ele estava lotado em Lins e anteontem, quando morreu em Bauru, trabalhava na cidade. Se não fosse a tragédia, Bercke passaria os próximos 45 dias em treinamento em São Paulo.

Para estar na seleta turma do curso de Salvamento em Altura, o tenente foi o primeiro colocado na avaliação para oficiais em todo o Estado de São Paulo. O capitão Miguel Ângelo Minozzi explica que Bercke estava muito entusiasmado. Ele passaria o fim-de-semana com sua família em Pirassununga e iniciaria o curso já na segunda-feira.

Subitamente, o soterramento pôs fim aos planos do jovem oficial, que era noivo de uma tenente do Corpo de Bombeiros em São Paulo.

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