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Queimadas dão início à ‘estação fumaça’

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Aos apaixonados e apreciadores do pôr-do-sol, uma notícia pouco romântica. Quanto mais vermelho o céu estiver ao final da tarde, mais poluída estará a atmosfera. Comum principalmente nesta época do ano - outono, época de pouca chuva e baixa umidade do ar -, a paisagem denota o início da “estação fumaça”. Por dia, o Corpo de Bombeiros de Bauru tem recebido, em média, 30 chamadas para combater fogo em mato nos terrenos baldios. À noite, em muitos pontos da cidade, é possível perceber os poluentes parados, como se estivessem concentrados numa nuvem baixa.

Mesmo quem não tem o hábito de passar horas observando o céu, sente o problema, que afeta o sistema respiratório. “As pessoas podem passar muito mal porque a queimada libera CO2 (gás carbônico). É tóxico. Compete com o oxigênio no sangue e a pessoa pode ficar intoxicada”, explica o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Luiz Antonio Bertozo Sabbag. De acordo com ele, se a pessoa aspirar a fuligem, o problema pode piorar muito.

“Agora, se a pessoa estiver muito perto do fogo e aspirar o ar quente, pode até queimar as vias aéreas. As queimadas são muito perigosas, principalmente para quem está perto”, comenta. Mas quem ateia o fogo não se arrisca. Pratica o delito sem ao menos ser notado pela vizinhança - até porque trata-se de crime ambiental. Nos terrenos situados na quadra 3 da rua Estados Unidos, no Jardim Terra Branca, por exemplo, o fogo é colocado, provavelmente, de madrugada.

Dificuldades

Pelo menos as moradoras Catarina Henrique Seabra e Maria Fustel Costa nunca viram o responsável pela fumaça. “Tivemos de usar o aparelho de inalação”, comenta Catarina, ao referir-se ao seu problema e ao do neto, Arthur, de 2 anos. A criança é filho de Maria, segundo quem a casa fica repleta de fuligem. “Tivemos que sair de casa, não dava para ficar (por conta da fumaça). O médico falou que, para a gente, essa fumaça é pior do que a poluição de São Paulo”, acrescenta Catarina.

Mas as queimadas provocam outra espécie de problemas na mesma rua. A casa de Eloísa de Castro tornou-se refúgio de ratos, que escaparam do fogo. A nora dela e o neto, também de 2 anos, enfrentam problemas respiratórios. As principais vítimas, normalmente, são crianças e idosos, além de quem já convive com rinite e bronquite, por exemplo. “Eles têm uma complacência pulmonar já diminuída. O pequeno porque não formou ainda e o idoso porque tem uma fibrose pulmonar pelo tempo”, explica Sabbag.

Já quem tem algum problema respiratório pode passar mal porque a fumaça polui o ar e diminui o oxigênio, que fica sujo. Ao respirar o ar impuro, o alérgico pode sentir falta de ar.

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Riscos

Além de poluir a atmosfera e provocar problemas respiratórios, as queimadas também representam risco aos imóveis próximos. No último final de semana, o perigo rondou várias casas e a rede de alta tensão. Em dia de pico, o Corpo de Bombeiros chega a receber até 60 chamadas por conta de fogo em mato.

“Vamos pela prioridade. Fogo mais alto, área de risco. Só depois para focos pequenos. Quando começa a parar de chover, as pessoas colocam fogo em mato porque está seco. Em época de chuva, o fogo não pega”, comenta o tenente do Corpo de Bombeiros, Cláudio Augusto Antunes da Silva. De acordo com ele, um outro problema é que, durante a estiagem, uma bituca de cigarro pode provocar incêndio em terrenos.

O tenente orienta à população que não coloque fogo em mato para fazer limpeza. Também recomenda a manutenção baixa da vegetação.

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