Economia & Negócios

Definido: Distrito Industrial 4 será nos lotes urbanizados

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Já não é mais especulação. O Distrito Industrial 4 (DI 4) de Bauru será mesmo instalado na área que compunha o antigo programa de lotes urbanizados, vizinha ao Núcleo Habitacional Mary Dota, na zona leste de Bauru. A questão agora é saber o percentual da região urbanizada que acolherá as novas indústrias. O trecho com alguma infra-estrutura soma 380 mil metros quadrados. O restante, de um total de um milhão de metros quadrados, ainda não recebeu qualquer benefício.

A idéia do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Nico Mondelli, é aproveitar parte da região urbanizada para instalar não só um minidistrito, como também o Distrito Industrial 4. Outra parte será destinada para um projeto de habitação, conforme o prefeito Rodrigo Agostinho reiterou ontem à tarde. “Na quarta ou quinta-feira, vamos sentar para checar o percentual da área que vamos utilizar”, informa Nico.

Na opinião dele, de seis a nove meses já será possível acompanhar a instalação de empresas no local. Atualmente, cerca de 15 empresas (a maioria da própria cidade) aguardam liberação de área para instalar ou ampliar o negócio. “A gente tem poucas áreas. Os três distritos industriais estão praticamente cheios. Tenho área que não posso utilizar (como as de preservação ambiental). Os lotes urbanizados são uma grande área da prefeitura que pode ser utilizada. É uma saída rápida que a gente pode trabalhar”, comenta o secretário.

Ele explica que, no Plano Diretor, a região já consta como minidistrito. Por ser uma área grande, é capaz de absorver tanto demandas industriais quanto urbanas. Por essa razão, o percentual de utilização da área ainda será discutido com Rodrigo.

Investimentos

Já a região dos lotes urbanizados mais distante do Centro e sem benefícios não tem previsão de ser ocupada. Se o DI4 dependesse apenas dele, levaria cerca de dois anos para ser instalado, ainda segundo cálculos do secretário de Desenvolvimento.

Nico ainda levantará o montante necessário a ser aplicado pela administração municipal para tornar a área apta a receber indústrias, assim como fará com a região já com alguma urbanização. “Tem que fazer a iluminação, por exemplo (na parte com infra-estrutura). Foi um projeto de 15 anos atrás. Pode ser que algumas ruas estejam transitáveis e outras não. A outra área vai dar bem mais trabalho”, comenta. Naquele trecho, até ponte de acesso será necessária.

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Ciesp concorda com medida

O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino, concorda com a idéia do Distrito Industrial 4 ser instalado na área dos lotes urbanizados. Tanto que a questão foi definida ontem, numa reunião ordinária realizada na sede da entidade com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Nico Mondelli.

“A gente está tentando viabilizar o Distrito Industrial 4. Não tem mais área para as empresas ampliarem ou virem de fora. Têm empresas na fila”, comenta Malandrino, segundo quem, algumas delas aguardam há quatro anos. A Perfam Indústria e Comércio Ltda está na espera há um ano. No entanto, pretende continuar no Distrito Industrial 2 (DI2), onde já tem um parque fabril instalado. “Não posso abrir uma fábrica separada porque já tenho uma estrutura lá”, comenta o proprietário, Arnaldo Lambertini Turtelli.

Atualmente, ele depende apenas de um retorno da administração municipal para ter a situação regularizada. Ele permanecerá no local, embora o DI2 carregue uma história de dificuldades no quesito infra-estrutura. “São vias que não são asfaltadas, problema de rede de esgoto, galeria de águas pluviais e segurança”, comenta o empresário. O assunto foi novamente discutido ontem entre Malandrino e Nico Mondelli.

“A prefeitura atualizou um projeto de 2004, que existia desde a época em que fui secretário (de Desenvolvimento Econômico na gestão Nilson Costa). Estamos traçando vários caminhos. Vamos tentar recursos junto ao governo estadual, federal, junto à Caixa Econômica Federal. O DI2 só tem 30% da rede de esgoto canalizada. O resto não existe, tem que fazer fossa. Não há guias, sarjetas e asfalto”, acrescenta o diretor do Ciesp.

A contrapartida do município não está definida, informa Nico Mondelli. “Temos projetos para correr atrás da verba. A gente está trabalhando para melhorar”, garante. De acordo com ele, restam apenas alguns dados para concluir o levantamento dos problemas do DI2. Quando estiverem em mãos, será possível elaborar projetos para pleitear recursos externos.

Dívida milionária

Lançado em 1991, na primeira gestão de Antonio Izzo Filho, o programa de lotes urbanizados gerou uma dívida milionária aos cofres municipais que, após a federalização de débitos pela prefeitura, terá de ser paga até 2030. As parcelas mensais variam entre R$ 1,1 milhão a R$ 1,2 milhão, explica a assessoria de imprensa da prefeitura. Nem sequer um terreno dos 2.456 previstos foi aproveitado.

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