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Caloria na escola está com dias contados

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

A merenda escolar deve ficar mais saudável nas escolas públicas e privadas de todo o Estado. A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou, por unanimidade, na última quarta-feira, um projeto de lei que proíbe a comercialização de lanches e bebidas de alto teor calórico que contenham gordura trans e doces nas cantinas escolares. Se for sancionada, ao invés de fritura e salgadinho industrializado, a cantina terá de vender frutas, o que não agrada os alunos.

Durante os 15 minutos de intervalo de uma escola pública de Bauru ontem à tarde, o JC notou que refrigerantes, balas, pirulitos e salgados são os produtos preferidos entre os alunos. Geslaine Nascimento, 15 anos, aluna da 7.ª série, com um pirulito nas mãos, conta que compra guloseimas doces diariamente. “Mas o salgado ainda é o meu lanche preferido”, afirma.

Esta é a mesma opinião de Tainan Leme da Silva, 13 anos, estudante da 7.ª série. “Compro salgado todos os dias. Agora, entre o refrigerante e o suco, prefiro o suco”, afirma. Quando informados sobre a lei que proíbe a venda de fritura e balas nas cantinas, eles foram unânimes na resposta: para satisfazer a vontade, trariam os produtos proibidos de casa ou de outro estabelecimento fora da escola.

“Não pode proibir porque é o que gostamos. Se for proibido, trago de fora da escola”, assegura Geslaine. “Se proibirem, eu compro em outro lugar e trago para a escola”, avisa Tainan, dando uma mostra que será difícil crianças e adolescentes trocarem guloseimas calóricas e gordurosas por alimentos saudáveis.

A diretora da escola estadual Ernesto Monte, Heloize Helena Siqueira de Souza, conta que a conscientização sobre alimentação saudável na escola é um trabalho de “formiguinha” realizado há alguns anos, por meio de uma parceria entre a instituição, cantina e merenda municipal. “Alguns produtos já são proibidos por lei, como remédios e bebidas alcoólicas. Aqui já é proibido vender chiclete. Além disso, estabelecemos um dia da semana para a venda de salgados fritos e inserimos o lanche natural e o suco entre os produtos comercializados na cantina”, conta.

“O pastel, que é um dos alimentos preferidos entre os estudantes, pode ser vendido na cantina da escola apenas nas sextas-feiras. Neste processo de conscientização, pudemos notar que o suco já teve uma grande aceitação entre os nossos alunos”, acrescenta a diretora.

Além disso, ao cardápio da merenda oferecida pela escola, preparada por profissionais, e que contém os nutrientes diários necessários aos alunos, foi incluído uma fruta como sobremesa. “É engraçado que quando colocamos frutas para vender na cantina, não houve procura. Mas muitos estudantes que trocam a merenda por produtos da cantina vão buscar a fruta”, conta Heloize.

Duas frutas

Além da proibição de alimentos considerados de baixo valor nutricional, caso a lei seja sancionada, as cantinas das escolas terão que comercializar pelo menos dois tipos de frutas. A escola também deverá colocar na área da cantina, em lugar visível, cartaz de no mínimo um metro de altura por um metro de largura com informações claras sobre os benefícios de uma alimentação saudável.

A autora da lei, a deputada Patrícia Lima, justifica a proposta com a necessidade de combater a obesidade entre crianças e adolescentes. Se o projeto for sancionado, as escolas que não cumprirem as determinações ficarão sujeitas ao pagamento de multa no valor de 3 mil Ufirs (ou R$ 3.180,00 - 1 Ufir é igual a R$ 1,06) e ao fechamento temporário até a sua regularidade.

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Para diretora, educar é melhor que proibir

Para a diretora da escola Ernesto Monte, Heloize Helena Siqueira de Souza, quando o assunto é alimentação saudável, educar dá melhor resultado do que proibir. “Aqui na escola a gente não proíbe, apenas ensina. Esse processo de conscientizar, de explicar e mostrar os prós e contras é mais importante do que proibir. Existe na mente das crianças que o que é proibido é mais gostoso, por isso este tipo de trabalho não funciona”, opina.

“Claro que, se virar lei, vamos ter que proibir, mas ainda preferimos o trabalho de ensinar. Temos os alunos que não obedecem e compram o chiclete, por exemplo, na esquina e trazem para dentro da escola. Mas a grande maioria entende e participa”, complementa Heloize.

O trabalho de conscientização com os alunos sobre a alimentação saudável não é feito apenas por meio da merenda e dos produtos comercializados na cantina. Na instituição, os professores participam da iniciativa e produzem junto com os alunos trabalhos, cartazes e pesquisas sobre o problema da obesidade e a importância da alimentação saudável.

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