Port of Spain - O animado xadrez político-diplomático que virou a distensão das relações entre EUA e Cuba, congeladas por quase meio século, ganhou lances decisivos nas últimas horas e dominou a abertura da 5ª Cúpula das Américas, ontem em Trinidad e Tobago. Em discurso na abertura da cerimônia, Barack Obama disse que os Estados Unidos buscavam “um novo começo” com Cuba.
“Eu sei que há uma longa jornada que precisa ser percorrida para ultrapassar décadas de desconfiança, mas há passos críticos que nós podemos tomar em direção a um novo dia”, afirmou. “Eu já mudei políticas em relação a Cuba que fracassaram em avançar a liberdade do povo cubano”, continuou, referindo-se à recente decisão de liberar viagens, remessa de dinheiro e comunicações entre cubano-americanos e seus parentes na ilha caribenha.
As mudanças fazem parte de um contexto maior, disse Obama, da responsabilidade que os países presentes têm de garantir que os povos das Américas “tenham a habilidade de perseguir seus próprios sonhos em sociedades democráticas”. “Deixe-me ser claro: não estou interessado em falar apenas por falar”, afirmou Obama. “Mas eu acredito que nós podemos levar a relação entre EUA e Cuba para uma nova direção.”
Antes, repetiu o que havia dito dois dias antes sobre a relação entre EUA e Brasil, dessa vez se referindo a todo o continente. “Não há parceiro sênior e parceiro júnior em nossas relações; há simplesmente engajamento baseado em respeito mútuo, interesses comuns e valores compartilhados”, disse.
Em tom conciliatório, que contrastava com o discurso carregado de seu antecessor, o republicano George W. Bush, Obama pediu que os países olhassem adiante e deixassem de ser “prisioneiros de desacordos passados’’: “Muito frequentemente, a oportunidade para construir uma nova parceria nas Américas tem sido minada por debates falsos”.
São falsos argumentos, disse o democrata. “Eles nos levaram a fazer a falsa escolha entre uma economia rígida e estatal e um capitalismo sem regras nem limites; entre culpar os paramilitares de direita e os insurgentes de esquerda; entre insistir em políticas inflexíveis em relação a Cuba e negar os direitos humanos completos que são devidos ao povo cubano”.
Com essas palavras, entregues depois dos discursos de Cristina Kirchner (Argentina), Daniel Ortega (Nicarágua) e Dean Barrow, premiê de Belize - os três pediram o fim do embargo dos EUA a Cuba-, Obama finalmente faz sua apresentação aos 33 líderes da região, que visita pela primeira vez. Também se adianta e toca no assunto pelo qual será avaliado, o embargo de 47 anos.
A fala de Obama segue a cartilha da política externa pragmática que ele tenta implantar em relação a países como Irã e Rússia.