O governador José Serra (PSDB) esteve ontem em Botucatu para anunciar investimentos na área de infra-estrutura e saúde no município. Quando foi questionado sobre sua preferência na desenhada disputa entre o chefe da Casa Civil de seu governo, Aloysio Nunes Ferreira, e o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Alckmin, para sucedê-lo em 2010, Serra se esquivou. “Disputa importante é no final de semana agora, entre Palmeiras e Santos”, disse o fiel torcedor do alviverde.
Aliás, o time de futebol do Palmeiras foi usado também como justificativa para a rouquidão apresentada pelo governador durante o discurso. “O problema é que eu estou sem voz. Fui torcer pelo meu time, não deu sorte”, afirmou Serra, que brincou com a platéia e políticos que o acompanhavam sobre as preferências futebolísticas dos presentes. “Queria pedir que torçam pelo nosso time. Mas, como governador, preciso do voto de todas as torcidas”, emendou.
Brincadeiras à parte, a questão é que a articulação tucana transpareceu a antecipação de dificuldades na condução política acerca da escolha para a sucessão de Serra. No início deste mês, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e o subsecretário da Casa Civil do governo do Estado, Rubens Cury (PSDB), estiveram escalados em ação política para se antecipar à preparação das candidaturas em 2010 e, com isso, tentar evitar racha que marcou o ninho tucano no ano passado. Durante jantar em São Paulo, a dupla articulou uma aproximação entre os dois peessedebistas que postulam indicação em 2010.
Rubens Cury garante que o partido segue unido. Tudo para evitar o que houve no ano passado, quando parte do PSDB apoiou a candidatura Alckmin para disputar a administração da cidade, enquanto outro setor defendeu a reeleição de Gilberto Kassab (DEM). A escolha do candidato em São Paulo passará pelo governador José Serra que, por enquanto, tem deixado as duas pré-candidaturas “evoluírem naturalmente”.
Aloysio Nunes, próximo do governador, é um habilidoso articulador político. Conta com a simpatia da maioria dos aliados dos tucanos, segundo o subsecretário de Relacionamento com Municípios. O chefe da Casa Civil é considerado homem forte de Serra, com enorme trânsito no interior do Estado.
Já Geraldo Alckmin tem a seu favor o bom desempenho nas pesquisas. Desde que aceitou o convite de Serra para assumir a Secretaria Estadual de Desenvolvimento no início do ano, Alckmin tem dito que não irá contra os desejos do governador, mas costura aproximação com aliados, como o DEM, para construir sua indicação.