Tribuna do Leitor

O novo protestantismo


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A Igreja Católica tem sido alvo de críticas pesadas nos últimos tempos. A instituição se nega a discutir questões polêmicas que se salientam em contraste com os seus dogmas, como, por exemplo, a prática de métodos contraceptivos e a união homossexual. Devido a acontecimentos recentes, o fundamentalismo católico volta a ser questionado intensamente.

O assunto veio à tona através da lamentável história da excomunhão da equipe médica pernambucana que realizou o aborto legal de gêmeos gerados em uma garota de nove anos, vítima do seu próprio padrasto, que a estuprava desde os seis. O ato criminoso foi tão absurdo e ilógico quanto a atitude do arcebispo dom José Cardoso Sobrinho, responsável pela decisão da excomunhão. A atitude acarretou na grande mobilização da população e da imprensa, até mesmo do presidente da República, que não se permitiu deixar de criticá-la.

A situação pode ser comparada à posição da igreja na idade moderna e suas ações que revoltavam desde os simpatizantes iluministas e os burgueses até ao próprio clero, como a prática de simonia e a venda de indulgências. Como solução, a igreja precisou se adaptar à nova sociedade para não perder ainda mais fiéis para as doutrinas protestantes.

Transportado o tema para os dias de hoje, é notório que a igreja está diante de novos obstáculos produzidos pela sociedade do novo milênio e uma nova contra-reforma é iminente. A insistência da mesma em permanecer em tal postura pode significar o início de seu fim como instituição. O ponto crítico será finalmente atingido quando a igreja perceber que os pilares que a sustentam e as pessoas que protestam são exatamente a mesma coisa. Resta apenas a dúvida: até quando os pilares serão numerosos o suficiente para evitar a sua queda?

Eric Willian Aguiar, estudante

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