Internacional

Histórico de intervenções desafia apelo de Barack Obama na AL

Sérgio Dávila
| Tempo de leitura: 2 min

Trinidad e Tobago - Barack Obama chegou a Trinidad e Tobago sem duas de suas principais armas: o povo e Michelle Obama. Assim como no México, não há eventos com participação popular programados para a 5ª Cúpula das Américas, que termina amanhã. E a primeira-dama optou por não emendar duas viagens longas, depois de oito dias na Europa.

O presidente é melhor quando fala para platéias grandes, de preferência de gente jovem. E a imagem do primeiro casal negro a habitar a Casa Branca faz mais pela recuperação da marca EUA no exterior do que mil discursos de política externa.

Nesse sentido, por sua trajetória singular e o simbolismo de sua eleição, Barack Obama encarna ele próprio o conceito de “soft power”. O termo refere-se à persuasão por meio de iniciativas não militares, como as culturais e diplomáticas, segundo o conceito popularizado pelo acadêmico Joseph Nye.

Pesquisa de opinião pública divulgada na véspera da cúpula comprova o poder da “obamania”. Segundo o levantamento do Barômetro Iberoamericano de Governabilidade, o presidente democrata é o líder mais popular dos 20 maiores países das Américas, com 85% de avaliação positiva. É seguido pelo colombiano Álvaro Uribe (74%) e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (73%).

O levantamento foi feito entre 11.954 maiores de idade de 20 países do continente, que opinaram sobre seus respectivos governos, entre 15 de março e 15 de abril. Mas Obama não é popular só entre os que governa, como mostraram os bastidores da cerimônia de abertura da cúpula, ontem.

Foi quando o venezuelano Hugo Chávez correu a mandar que postassem no site oficial do governo sua foto cumprimentando o americano, o nicaraguense Daniel Ortega saiu de seu caminho para se apresentar a ele e a argentina Cristina Kirchner fez o possível para eximi-lo da culpa pelo embargo econômico a Cuba.

Segundo o levantamento do Barômetro, Ortega e Kirchner estão na lanterna e têm, respectivamente, 30% e 35% de aprovação; Chávez, numa faixa intermediária, tem 61%, ao lado do mexicano Felipe Calderón, com 60%.

Mas só a “obamania” não enche barriga, como o próprio líder começa a descobrir. E não só pelo folclórico sabão de 50 minutos que ouviu de Ortega, o segundo a falar na cerimônia de abertura - depois, indagado sobre o que tinha achado do discurso de 50 minutos, Obama respondeu: “Achei que foi um discurso de 50 minutos”.

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