Ser

Feitos um para o outro

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Histórias sobre encontros, separações e reencontros são obrigatórias nos enredos de novelas e filmes românticos. Quem não se emocionou com o filme “Harry e Sally - Feitos um para o outro”? Na história, os protagonistas (Billy Crystal e Meg Ryan) se conhecem na adolescência, depois passam vários anos longe um do outro, cada um levando sua vida, até que de repente se reencontram e aos poucos vão descobrindo que estão apaixonados.

A exemplo deste, existem muitos outros filmes que tiram o fôlego e arrancam lágrimas dos espectadores. Porém, isso não ocorre apenas na TV ou no cinema. Muitos casais vivem, de fato, essas histórias de amor, que poderiam muito bem servir de inspiração para roteiristas da sétima arte.

Histórias como a de Rosemeire Pola e Edson Roberto Borrere, que se conheceram na adolescência. Por mais que os caminhos dos dois teimassem em percorrer horizontes opostos, o destino se encarregou de uni-los novamente. Eles se conheceram quando tinham 12 anos. Ambos estudavam na mesma escola, mas em salas separadas. Rosemeire conta que Edson era romântico, do tipo que fazia serenata debaixo da janela da sala de aula para dizer que a amava. Segundo ela, era “coisa de criança”, mas que ela adorava.

No entanto, por causa da idade, o pai dela não permitia que eles namorassem. Quando saíam, nada de mãos dadas. Mesmo nas matinês do cinema, o máximo que se permitiam era encostar os cotovelos um do outro. A adolescência passou, chegou a juventude. Rosemeire estava com 16 anos, mas nada do pai permitir que ela namorasse. Dizia que ela só namoraria quando completasse 21 anos. A situação ficou mais difícil quando o pai adoeceu. Para não contrariá-lo, ela se afastou do namoradinho. Pouco depois, o pai morreu. “Fiquei sem condições psicológicas para decidir qualquer coisa”, relembra ela.

Outros rumos

Como todo jovem, Edson queria namorar. Como não podia com Rosemeire, foi em busca de outra pessoa. Nessas alturas, eles estavam entrando na faculdade. Na tentativa de superar a frustração amorosa, ela canalizou toda a energia nos estudos. Quando soube que o ex-namoradinho iria se casar, ficou muito mal. “Foi um sofrimento dobrado. Primeiro por não estar com ele, depois por saber que casaria com outra”, relata.

Ela conta que namorou outros garotos depois que completou 21 anos, como queria o pai, mas não sentia amor por eles. Ela chegou, inclusive, a casar e teve duas filhas. “Não era aquilo que eu queria, mas segurei o casamento o quanto pude por causa das minhas filhas”, conta. Mas chegou um momento que não deu mais. Rosemeire se separou do marido e ficou com as duas filhas. Enquanto isso, Edson continuava casado e tinha quatro filhos.

Após 36 anos sem nenhum contato um com o outro, eles se reencontraram numa bela manhã em uma praça do Parque União, enquanto Rosemeire esperava pelo ônibus que a levaria para o trabalho. “Eu estava sentada, esperando, quando de repente ele surgiu do nada e me ofereceu uma carona. Quase caí das pernas, ainda bem que eu estava sentada”, comenta.

Quando entrou no carro, ela diz que tremia sem parar. Depois disso, começaram a se falar por telefone e e-mail. Até que um dia ele parou na frente da casa dela com o carro “cheio de coisas”, dizendo que ele havia se separado da mulher. E ele estava lá para saber se podia ficar ou se procurava um hotel. Rosemeire não deixou passar sua segunda chance e mandou ele entrar.

“Foi uma sensação indescritível. Eu já achava que iria terminar a minha vida sozinha, porque as minhas filhas estavam estudando em outras cidades. De repente, eu estava de novo com a pessoa que eu sempre amei”, alegra-se.

Ela diz que isso aconteceu há pouco mais de dois anos e ainda hoje se sente como se estivesse em lua-de-mel. “Esperei 36 anos por esse momento. Agora tenho de fazer valer a pena tanta espera”, comemora. Ela brinca com o ditado popular que diz que “a esperança é a última que morre”. Rosemeire discorda. “Ela não pode morrer nunca. Não podemos desistir de nada, jamais”, afirma.

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