“O nosso relacionamento não é mais uma coisa de adolescente. O que antes era uma paixão, agora se transformou no verdadeiro amor.” Assim o cabeleireiro Douglas Caracho resume sua história de amor ao lado de Fátima Aparecida Cabariti.
Ambos se conheceram em Arealva por ocasião de uma festa de casamento no início dos anos 1970. Douglas tinha parentes e amigos na cidade. Aliás, Arealva é sua cidade natal. Na época, ele morava em São Paulo, mas estava sempre por lá. Em uma das vezes, ficou sabendo, por intermédio de amigos, que uma garota muito bonita havia chegado de São Paulo para o casamento de um conhecido deles. O casamento seria no sítio, e a garota estava hospedada lá.
Tomado pela curiosidade, Douglas não pensou duas vezes. Pegou um trator e foi bater lá no sítio. Ele queria conhecer a tal moça. Como a família do noivo era conhecida dele, não teve nenhuma dificuldade para entrar. Como quem não queria nada, cumprimentou todo mundo até chegar na garota. “Era uma verdadeira princesa”, derrete-se. Detalhe: Fátima é filha do apresentador de TV Edson Cabariti, mais conhecido como Bolinha.
Mesmo sem ter sido convidado, Douglas foi ao sítio no dia do casamento. Não poderia perder por nada a chance de ficar mais tempo perto daquela menina tão encantadora. A atitude um tanto inconveniente valeu a pena. Ele foi tão bem sucedido na arte da conquista que conseguiu levar a garota até um riacho, onde havia uma bica d’água e “roubou” ali o primeiro beijo dela. Na época, Douglas tinha 17 anos e Fátima, 15.
Marcas eternas
Nascia ali um namoro que duraria não mais que quatro meses, tempo suficiente para marcar a vida dos dois. “Éramos muito novos. Tínhamos sonhos diferentes”, diz Douglas para justificar a separação do casal. Separação que durou 26 anos. Nesse tempo, ele se casou duas vezes e teve três filhas. Fátima, por sua vez, nunca casou nem teve filhos.
Há cerca de sete anos, em uma de suas visitas a Arealva, Douglas ficou sabendo que Fátima havia estado por lá e perguntou por ele. Com um dos amigos, ele conseguiu o telefone dela. Nessas alturas do campeonato, Douglas estava separado da segunda esposa. “Eu relutei o quanto pude, mas não resisti e acabei ligando”, relembra. Resultado: ficaram cerca de duas horas e meia falando ao telefone.
Fátima havia deixado São Paulo e estava morando em Boracéia, onde a mãe dela tinha parentes. Marcaram o primeiro encontro, o segundo, o terceiro e outros. De início, segundo Douglas, foi tudo uma amizade, mas tal qual uma brasa viva, o fogo da paixão acendeu pela segunda vez entre eles. Depois de três meses juntos, não teve jeito. Durante um passeio por Jaú, Douglas roubou outro beijo de Fátima. Segundo ele, a sensação provocada por essa “ousadia” foi a mesma de 26 anos atrás.
“No primeiro beijo depois de 26 anos, eu senti o mesmo sabor, o mesmo cheiro”, relata. Desde então, passaram-se sete anos e a relação dos dois não é mais movida pela paixão, que é passageira, mas pelo amor, que segundo ele, aumenta a cada dia.