Elder da Silva Lobo e Ellen Adriane Delphino cresceram no mesmo bairro, distante apenas cem metros um do outro, mas nunca se encontraram na rua. Se isso aconteceu, passou despercebido. Eles só se conheceram na escola quando estavam no 3º colegial (hoje, 3ª série do ensino médio). “Foi lá que eu descobri que ela existia”, conta Elder.
Desse encontro nasceu uma amizade, que pouco depois se transformaria em paquera. Conseqüentemente, vieram os primeiros convites para saírem juntos. De cara, Elder sentiu que a conquista não seria assim tão fácil. Ellen era e continua sendo parte integrante de uma família evangélica tradicional, daquelas que não permitem que os filhos saiam para baladas, algo tão comum entre os jovens.
Esperto, Elder não se preocupou em conquistar apenas a confiança de Ellen, mas de toda a família dela também. Somente assim conseguiria permissão para sair com ela. Dito e feito. Elder lembra que havia semanas em que eles saíam juntos na quinta, sexta e sábado à noite.
Tudo ia bem até ele decidir fazer faculdade em Paraguaçu Paulista. Elder queria ser engenheiro agrônomo, mas para isso tinha de se mudar para lá. Foi o que fez. Depois disso, o namoro resistiu um ano e meio. “Ellen era muito ciumenta”, diz ele, como justificativa da separação.
Ambos se formaram e foram cuidar da vida longe de Bauru. Elder foi trabalhar em Mato Grosso do Sul. Depois passou por Goiás, Mato Grosso e chegou perto de Rondônia. Ellen formou-se farmacêutica e foi para São Paulo, onde trabalhou em hospitais renomados como Beneficência Portuguesa e Albert Einstein.
Reencontro
Passaram-se 11 anos até que Elder decidiu voltar para Bauru, possibilidade que ele considerava muito remota quando estava longe daqui. A vontade dele era ficar no Centro-Oeste. Mas por causa de um problema na coluna passou a não render o que se esperava e o que se exigia dele. Foi quando decidiu voltar e abrir uma loja de ração animal no Jardim Bela Vista.
No entanto, Ellen continuava em São Paulo, e namorando. A irmã dela ficou sabendo da loja, passou lá para conversar com Elder e, quando Ellen veio visitar a família, deu um jeito de levá-la até lá sem que ela soubesse que o “ex” estava ali.
Quando os dois se encontraram, ambos ficaram meio sem jeito e a conversa entre eles foi rápida. Deste então, toda vez que ela vinha a Bauru, ligava para combinar de sair juntos. Foi assim durante seis meses. Em novembro de 2006, durante a ExpoBauru, Ellen já havia deixado o namorado de São Paulo, criou coragem e pediu Elder em namoro. Pelo menos, essa é a versão dele para a retomada do namoro.
Um ano mais tarde estavam noivos e em junho do ano passado casaram-se. Nem mesmo o fato de Elder ter se tornado espírita e Ellen continuar evangélica foi empecilho para a união dos dois. Segundo Elder, o tempo que ele passou na região Centro-Oeste do País e ela em São Paulo serviu para deixar ambos bem mais preparados para a vida a dois.
“Se nós tivéssemos casado naquele tempo (antes da separação), com certeza, não teria durado muito”, acredita. Isso porque ele admite que era muito festeiro, gostava de ir em todas as principais festas de peão de São Paulo e de outros Estados. Além disso, ele cita o ciúme doentio de Ellen como outro grande obstáculo que precisava ser superado. Hoje, segundo ele, ambos estão mais amadurecidos. Elder aponta outro aspecto que tem feito toda a diferença atualmente. “Antes, o que existia entre nós era uma paixão. Hoje, o que existe é o amor de verdade”, compara.