Bairros

Praça Rui Barbosa: Sem motivos para comemorar

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

A praça mais importante de Bauru em termos históricos fez aniversário no último dia 12. Palco de grandes eventos realizados na cidade no passado e local preferido pelas famílias para o passeio de domingo, hoje está praticamente abandonada. Os 95 anos da Praça Rui Barbosa não foram comemorados. Um dos principais cartões postais da cidade sofre com a ação do tempo e o descaso de muitos.

Em sua inauguração, um jornal que circulava na cidade na época definiu o acontecimento como “verdadeiramente deslumbrante”. A matéria dizia que em poucas cidades do Interior do Estado seria possível encontrar um jardim tão luxuoso e caro quanto o da Praça Rui Barbosa. Infelizmente, 95 anos depois a realidade do local é outra.

É o que dizem algumas pessoas que conheceram as várias fases da Praça Rui Barbosa: o passado glorioso e o presente de abandono. Ary Nunes Garcia, vizinho da praça desde que nasceu, diz não mais reconhecer o local. “A praça perdeu seu encanto na reforma realizada no final dos anos 80, quando foi descaracterizada. Do projeto original sobrou apenas o coreto”, conta.

Na reforma, os dois lagos deixaram de existir, assim como uma passarela. A praça passou a ser um local de circulação de pedestres, não mais um ponto de encontro como anteriormente, lamenta Garcia. “A praça só tem vida durante o dia, porque à noite ninguém tem mais coragem de ficar por aqui”, completa.

De acordo com Luciano Dias Pires, pesquisador da história da cidade e jornalista editor do caderno Bauru Ilustrado do JC, a história da Praça Rui Barbosa é diferente de todas as outras existentes na cidade. Ele recorda que era lá que os jovens de Bauru se reuniam aos finais de semana para a esperada paquera. Muitos casais de hoje se conheceram ali. “Hoje, infelizmente, tudo está abandonado. O coreto está se deteriorando e muita história se perdendo”, lamenta.

Enquanto contava um pouco da história da praça, tratada como “marco zero” da cidade por abrigar a Catedral do Divino Espírito Santo, o vizinho de tantos anos da praça apontou alguns problemas estruturais do local.

“É uma pena, mas essa praça nunca esteve tão abandonada como agora. A fonte luminosa está desativada, a iluminação do lado da rua Gustavo Maciel apagada, o coreto remendado, pichado e se deteriorando, o relógio da praça deixou de funcionar há muito tempo e o piso de pastilha que vai do Automóvel Clube até a escadaria da Catedral tem rachaduras por toda a sua extensão”, enumera. “Infelizmente a data passou em branco, porque não se tem o que comemorar”, emenda.

Outra situação crítica são as instalações dos sanitários públicos. O forte odor é percebido a metros de distância da entrada. O local está mal conservado, com o piso estragado, paredes pichadas, torneiras danificadas e, no lugar onde deveria existir uma pia para a higiene das pessoas, existe apenas um buraco na tampa de pedra. Iluminação não existe, por isso, os sanitários só podem ser utilizados enquanto a luz do dia incide no local. “A gente só usa aqui porque não tem outro lugar mesmo”, comenta um usuário que preferiu não se identificar.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente reconhece que a praça precisa de reparos urgentes e, de acordo com o secretário Valcirlei Gonçalves da Silva, uma reestruturação do local deverá acontecer em breve. Silva discorda que o local esteja abandonado. Segundo ele, alguns serviços de manutenção são realizados com periodicidade.

O secretário cita que a fonte luminosa só não está em funcionamento pela ação de vândalos. “O local foi reformado, o Departamento de Água e Esgoto (DAE), em parceria com a secretaria, reformulou todos os chafarizes da cidade. Mas infelizmente, sempre que os sistemas são ligados, imediatamente atos de vandalismo são registrados, lixo é jogado e crianças invadem a fonte em tempo de calor. O valor gasto para limpeza e manutenção do local é muito alto”, explica.

Silva conta que o projeto atual da praça, depois da última grande reforma, está nas mãos da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). “Existe a idéia de se desenvolver um estudo para uma ampla reforma da praça, mas para isso teríamos que envolver a estrutura da Semma, da Seplan e até da Secretaria de Obras”, explica.

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