O que antes era um local de passeio e ponto de encontro das famílias de Bauru, atualmente é mais uma praça por onde a maior parte das pessoas passa, muitas vezes, sem percebê-la de fato. Situada próximo ao Calçadão da Batista, um dos locais de maior movimento em horário comercial na cidade, a Praça Rui Barbosa serve apenas como uma opção de caminho mais curto para se chegar ao destino pretendido.
Boa parte do logradouro público está tomada por vendedores ambulantes que vendem de tudo um pouco, desde alimentos, como lanches e bebidas, até produtos irregulares como camisetas de times de futebol, óculos e mídias. É possível encontrar ainda vendedores de remédios que prometem curar de tudo, de dores musculares até problemas como impotência sexual. Tudo é comercializado ao ar livre, aparentemente sem nenhum controle ou fiscalização.
Mas a praça também é, atualmente, ponto de encontro para aposentados e pessoas desempregadas que, em busca de passar o tempo, se reúnem para jogar baralho, damas e dominó. Adolescentes adeptos da prática de esportes radicais vêem nas edificações do local um excelente lugar para andar com seus skates.
Boa parte da Praça Rui Barbosa fica na ociosidade, sem atração nenhuma para os visitantes. Vanessa Cristina Oggi, 22 anos, conta que nunca viu o local como um ponto de encontro ou para diversão. “Acho que nem essa e nenhuma outra praça existente na cidade pode oferecer lazer para as pessoas”, opina. Ela conta que passa todos os dias pelo local apenas para “cortar caminho” até onde trabalha, e que de vez em quando para por ali para comer um lanche na hora do almoço.
Saudade
Gisele Fernanda Cintra, 34 anos, conta que quando era criança seus pais a levavam para passear e brincar na praça após a missa de domingo. “Mesmo quem não viveu o tempo bom desse lugar, como eu que só peguei o final da praça antes da grande reforma que mudou tudo por aqui, tem saudade da verdadeira praça Rui Barbosa”, comenta.
Do projeto original sobrou apenas o coreto, que na época da inauguração da praça, em 1914, foi considerado belo e valioso. Sem a conservação adequada, a única construção que resta do projeto original sofre com a ação do tempo e do descaso. Com pichações externas e internas, o local que antes era palco para receber visitas ilustres, hoje serve de abrigo para andarilhos.
A má conservação é visível, tanto no teto quanto no piso do coreto. A grade trabalhada de proteção em volta do coreto em alguns lugares foi substituída por ferro comum, madeira, e a estrutura é amarrada por arame. O pesquisador da história da cidade Luciano Dias Pires lamenta o estado de abandono do local. “O coreto simboliza a resistência do que aquela praça já foi um dia”, define.
Valcirlei Gonçalves da Silva, secretário municipal de Meio Ambiente, explica que existe a intenção de ser realizar uma reforma ampla na Praça Rui Barbosa, mas garantiu que no projeto que será elaborado o coreto deverá permanecer e será recuperado. “É claro que a praça precisa de reformas e de obras de manutenção, mas se não houvesse atos de vandalismo seria mais fácil manter, por exemplo, a fonte funcionando e o banheiro em condições adequadas de uso”, lamenta.
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Praça fica deserta durante a noite
Em algumas cidades menores, a praça principal da cidade ainda é o ponto de encontro de famílias e jovens durante a noite. Em outras, não é mais o principal ponto de encontro, mas ainda é possível encontrar famílias e até casais de namorados nesses locais.
Mas a maior parte dos freqüentadores da Praça Rui Barbosa, em Bauru, onde está localizada a Catedral do Divino Espírito Santo, rejeita de pronto a idéia de freqüentar o local no período noturno.
O motivo apontado pelas pessoas para não fazer isso é simples: a praça não oferece segurança alguma e já se transformou em refúgio para andarilhos e usuários de drogas. A iluminação precária facilita que o local se transforme em abrigo para essas pessoas.
“A praça funciona em horário comercial, durante a noite ela está fechada para os cidadãos de bem”, lamenta um morador próximo do local. De acordo com esse mesmo morador, que pediu para não ser identificado por medo de represália, a praça, se bem cuidada, iluminada e se contasse com segurança, poderia se tornar um local de lazer para que os pais freqüentassem com seus filhos. Mas infelizmente, o ambiente atual não permite que isso ocorra.
Como os sanitários só funcionam até que a luz do dia incida no local, durante a noite os usuários aproveitam a falta de movimento e de iluminação para fazer suas necessidades fisiológicas do lado de fora do banheiro. O resultado é o odor fétido que pode ser sentido durante o dia a metros de distância do local.