Um momento que era para ser reservado apenas ao sentimento de pesar se transformou em horas de angústia e estresse para os familiares de Sônia Cury, que morreu anteontem. Vítima de uma parada cardiorrespiratória, a senhora, de 77 anos, morreu após um mês de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e seria sepultada ontem por volta das 17h. No entanto, após a chegada do cortejo ao Cemitério Jardim do Ypê, na zona sul de Bauru, parentes e amigos que presenciariam o término do funeral acompanharam o início de uma confusão que, segundo familiares, poderá parar nos tribunais.
Certos de que o sepultamento ocorreria ao lado do jazigo onde está enterrado Alexandre Cury, cunhado de Sônia, os parentes se dizem surpreendidos quando comunicados pela direção do cemitério de que a urna seria depositada em túmulo no lado oposto da necrópole, longe do setor que, alegam, teria sido reservado para os familiares.
Após uma discussão que durou, aproximadamente, três horas – até por volta das 20h o funeral ainda não havia sido concretizado. O corpo de Sônia, finalmente, acabou sepultado em outro túmulo - nem no espaço almejado pelos familiares e tampouco no sepulcro alegado inicialmente pela direção do cemitério como, de fato, de posse da família.
“Esse túmulo (ao lado de onde está sepultado Alexandre) foi comprado pela família há dez anos e, quando a gente chegou, queriam o enterro em outro lugar”, afirma a empresária Cecília Cury, sobrinha de Sônia. Segundo ela, a direção do cemitério alegou, em momentos que antecederiam o sepultamento, que o jazigo almejado pela família pertenceria, na realidade, a outras pessoas. “Disseram que os sepultamentos são feitos por prioridade e que o túmulo havia sido vendido para o depósito de ossos há uma semana”, acrescenta Cecília, que, ainda durante o imbróglio que precedeu ao sepultamento, antecipava que a família pretende acionar a Justiça. “Passamos uma situação de muito estresse, parece um filme de terror”, desabafou no momento em que estava ao lado do corpo da tia, nas proximidades da entrada do cemitério.
Procurados por telefone pela reportagem, responsáveis pela necrópole se reservaram a anunciar que, “em momento oportuno”, conforme atendente do Jardim do Ypê, se pronunciarão a respeito do episódio. Apesar da intenção de ir à justiça, familiares de Sônia Cury, até por volta das 21h de ontem, não havia registrado boletim de ocorrência no Plantão Policial.