Cidade do México - Um surto de gripe suína que atinge o México e, em menor intensidade, os Estados Unidos já provocou ao menos 20 mortes e pode ter feito outras 40 vítimas cuja causa de morte aguarda confirmação, segundo autoridades públicas de saúde dos dois países.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou que convocará uma reunião emergencial para debater o assunto.
Aulas foram suspensas por tempo indeterminado ontem no México. Museus e bibliotecas foram fechados, o governo pediu que quem tivesse sintomas de gripe não saísse de casa, e muitas pessoas já usavam máscaras nas ruas e nas estações de metrô.
“Estamos lidando com um vírus novo que provocou uma epidemia respiratória até agora controlável”, disse o ministro da Saúde do México, José Ángel Córdova, depois de uma reunião sobre o assunto com outros integrantes do governo, ontem à noite. O ministro disse que o vírus, “que agia nos porcos”, deve ter sofrido mutações e “em algum momento” acabou sendo transmitido para seres humanos.
Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos, trata-se de uma mistura nunca antes vista. “É um vírus de gripe A, designado como H1N1, e contém DNA típico de vírus aviários, suínos e humanos, incluindo elementos dos vírus suínos europeus e asiáticos”, informou o órgão. A conclusão inicial é a de que o vírus se espalha mais facilmente entre os porcos, e o contágio de humano para humano não é tão simples quanto o da gripe comum.
Nos EUA, sete moradores da Califórnia e do Texas contraíram a gripe suína, mas já se recuperaram.
A porta-voz da OMS Fadela Chaib disse ontem que as autoridades mexicanas perceberam uma ocorrência de gripe incomum no fim de março e em abril. “Houve 800 casos suspeitos de gripe, com 57 mortos na região da Cidade do México”, afirmou.
Segundo ela, casos semelhantes têm sido descobertos também em San Luis Potosí, na região central do país. O número total de possíveis infectados foi elevado ontem para pouco mais de mil pessoas, informaram autoridades mexicanas.
O governo do país recomendou à população evitar beijos e apertos de mão, além de não compartilhar alimentos, copos e talheres, para dificultar a transmissão da gripe.
Jovens
A maioria dos mortos por esse novo vírus no México é jovem ou de meia idade e saudável, segundo a OMS - e nenhum deles tinha mais de 60 ou menos de 3 anos de idade. O fato é preocupante para as autoridades sanitárias porque tradicionalmente epidemias simples de gripe, sazonais, têm nos idosos e crianças suas principais vítimas, enquanto grandes epidemias como a da Gripe Espanhola, em 1918, provocam mortes na faixa de população geralmente menos suscetível.
Brasil
A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) afirmou ontem em nota que intensificará sua ação nos portos de entrada do Brasil por conta dos casos de gripe suína. No entanto, o trânsito de passageiros entre Brasil e México não foi restringido, por não haver orientação da OMS, segundo a agência.