Washington - O FMI acredita que a América Latina já esteja “tocando o fundo do poço” na crise e que poderá voltar a crescer de forma mais acelerada em 2010 na comparação com as economias avançadas. Para os países desenvolvidos, o FMI afirma que o pior da crise só será atingido ao final deste ano.
Segundo Nicolás Eqzaguirre, diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI, além de os fundamentos macroeconômicos da América Latina estarem mais sólidos, “o sistema bancário está sadio e há espaço para políticas fiscais contracíclicas (gastos públicos maiores em período de recessão)”.
Eqzaguirre afirmou que a atual recessão na América Latina deve ter o “formato” da letra V, enquanto a contração das economias ricas será mais parecida com um U. Ou seja, na região, a recuperação será rápida, mas ela levará mais tempo nos países avançados.
Para o Fundo, a crise global também não terá sobre a América Latina o mesmo efeito de crises passadas, como a dos anos 1980, batizados como “a década perdida” para a região.
Eqzaguirre disse ainda que a situação social de vários países (citou especificamente Brasil e México) não deve se deteriorar tanto em razão dos programas de transferência de renda adotados por alguns deles - no caso brasileiro, o Bolsa Família.
Pelas previsões do FMI, enquanto o crescimento das economias avançadas poderá ficar perto de zero em 2010, a América Latina poderá crescer 1,6% (2,2% no caso do Brasil).
A opinião do FMI sobre a região já estar atingindo o “fundo do poço” é parecida com a do ministro Guido Mantega (Fazenda). Mas Mantega contesta a previsão do Fundo de que haverá um encolhimento de 1,3% na economia brasileira neste ano. O FMI justificou novamente ontem a projeção devido à exposição que grandes economias como a brasileira têm em relação ao mundo. O FMI espera uma contração de 11% no comércio internacional neste ano.