O amor pelos veículos Willys veio do pai que, na década de 60, fazia consertos nos “carrões” Aero Willys e Rural Willys que rodavam pelas principais ruas brasileiras. Hoje, os irmãos Willys são referência na região quando o assunto é “rejuvenescimento” de autos antigos. Pelas mãos deles passam modelos que foram vedetes nos anos 50, 60,70 e até 80. Após a “plástica” voltam a circular novinhos.
A especialidade deles é transformar um carro antigo, normalmente em péssimas condições em um veículo que conserve as características originais, porém que acompanhe os requisitos contemporâneos. “Num Jeep ano 60 é possível instalar um MP3 por exemplo, comenta André Luis Silva que, juntamente, com o irmão, Paulo Eduardo Silva fazem a “cirurgia plástica” nos modelos antigos.
É um nicho de mercado em expansão, embora seja restrito à população com idade superior a 40 anos e com poder aquisitivo mais alto. “Nossos clientes são homens e mulheres que já atingiram a estabilidade financeira e compram um carro antigo para lembrar a infância ou mesmo para colecionar. Normalmente, eles têm um outro carro para rodar. Essas relíquias são próprias para passeios especiais e encontros.”
O hobby pode desviar uma “grana” alta do orçamento. “Na recuperação de um Jeep foi gasto R$ 44 mil. Aproveitamos praticamente só o chassi. Hoje, o mesmo veículo vale cerca de R$ 60 mil e tem comprador.”
Mas, segundo os irmãos, este não é o carro mais caro. “Tem carros de R$ 100 a R$ 300 mil, depende do modelo e do ano. “ Os apaixonados por carros antigos gastam muito. Eles trocam carroceria, roda, motor. Já coloquei motor do Santana, Opala e V8 em Jeep da década de 60. Alguns clientes querem um motor mais forte porque vão praticar rally.”
O Jeep Wiilys é o mais procurado e cada cliente tenta deixar o seu veículo o mais diferenciado possível. “Sai do original. Tem Jeep com mecânica do Galaxie Landau, com câmbio automático. Para recuperar um desses, gasta-se de R$ 20 mil a R$ 30 mil.”
Para comprar um auto “balzaquiano” é preciso fazer uma verdadeira via-sacra, porque carro velho tem muito, mas até para restaurar é preciso que o veículo preencha alguns requisitos. Para adquirir um Jeep, por exemplo, os irmãos ensinam a escolher aquele que apresenta um chassi em bom estado. “Na maioria dos casos usamos só o chassi e recuperamos toda a lataria, a parte elétrica e estofamento.”
Para quem pode se dar ao luxo, comentam os irmãos, cromar peças dos veículos antigos dão um toque se sofisticação e valorizam ainda mais o auto. “São detalhes que diferenciam. Há pneus de mais de mil reais, rodas esportivas e molejos que deixam os antigos mais macios. Todos esses diferenciais contam na hora da venda.”
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Achando uma agulha no palheiro
Recuperar determinados modelos exigem muita paciência. Peças que não são mais fabricadas só são encontradas com os colecionadores e em sucatas. Há ainda a opção de importar peças, lembram os mecânicos que trabalham com vários tipos de carros, embora sejam especialistas em Willys. “Algumas peças encontramos em fornecedores da Capital, outras só importando, como é o caso das usadas em Maverick e Gálaxie Landau. Esses modelos são encontrados nos Estados Unidos.”