Tribuna do Leitor

Tudo em pratos limpos...


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Senhor presidente Gilmar Mendes: como é do conhecimento de V.Excia., estive ausente durante algumas reuniões desta Corte, em decorrência de licença médica que fui obrigado a solicitar. Por isso, não pude acompanhar o desenvolvimento sempre lúcido e brilhante com o qual V.Excia. tem sempre nos brindado sobre os temas e assuntos aqui discutidos, como deve ter sido o da última reunião deste pleno, a respeito de um dos assuntos da pauta de hoje. Seria demais, ministro Gilmar, eu solicitar um resumo rápido e conciso daquela sua explanação? Mas não foi assim que o ministro Joaquim Barbosa, do STF, iniciou sua intervenção naquela fatídica reunião do plenário do STF.

Se é que uma briga de foices ou de línguas afiadas possa ser chamada de... reunião! A expressão “o senhor tem que por tudo em pratos limpos”, disparada como um tiro pela boca de Barbosa, foi mesmo – e disso eu não duvido- para, propositalmente, irritar Gilmar Mendes, e não para discutir ou divergir a respeito de problemas técnicos/jurídicos. A despeito de ter ouvido um “V.Excia. me respeite”, Barbosa queria, bem mais que a discussão, a afronta e o confronto, e conseguiu. A turma do “deixa disso” com certeza sabe as razões que levaram-no a tal procedimento e, bem por isso, com exceção do próprio Barbosa e de dois ausentes, assinou uma nota que muito agradou Gilmar Mendes, nela elogiado por oito ministros “que afirmaram confiança e respeito pela presidência” (sic Estadão, pág.12, 25/4), como se isso não fosse protocolarmente inevitável. Quanto a mim - e disso também não tenho dúvidas - o íntegro e capaz ministro Joaquim Barbosa, oriundo da Procuradoria da República no Rio de Janeiro e em Brasília, e que, por isso mesmo é visto com certas reservas pelos seus pares, - no conceito do STF os que não são egressos do meio Judicial são “patos fora da água” - certamente tem ótimas cartas na manga de sua toga.

Como, quando e por que poderá usá-las são incógnitas de difícil solução! Assim, se alguém se atrever a sequer pensar em seu impeachment, vai se dar mal...

João Guilherme Ortolan

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