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‘Disse para o câncer: vou te vencer!’

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Há pouco mais de três anos, a empregada doméstica Elizete Aparecida Silveira da Costa (hoje com 45 anos e já aposentada devido aos problemas de saúde que enfrentou) passou a sentir fortes dores no quadril. “Eu mal conseguia dormir. Passava a noite inteira gritando. Era como se eu tivesse um nó nas costas”, relata. Primeiro, os médicos suspeitaram que ela estivesse sofrendo de uma hérnia. Depois, levantaram a hipótese de o problema estar nos rins.

Acabaram descobrindo dois tumores malignos - um no seio esquerdo, outro na axila direita -, ambos com cerca de sete centímetro de diâmetro e já em processo de metástase. Precisou passar por 21 sessões de radioterapia mais seis de quimioterapia. Naquela época, precisava tomar injeções de morfina para aliviar as dores no quadril.

Enfrentando

“Não me abati, em momento algum. O câncer é uma doença que, quando vem, você tem de dizer: ‘Vou te vencer’”, afirma Elizete. Ela conta que, tão logo ficou sabendo do diagnóstico, foi até a igreja de Santa Luzia para rezar.

“Ajoelhei-me diante do Santíssimo Sacramento e disse: ‘Senhor, eis aqui a tua serva. Seja feita a vossa vontade’”, diz Elizete, que é devota de Nossa Senhora Aparecida. Ela acabou perdendo os cabelos, por conta da quimioterapia. “Minhas irmãs choraram muito quando me viram careca. Eu nem me preocupei. Coloquei dois brincos enormes e maquiei meu rosto. Não quis nem saber de usar peruca ou chapéu. Peguei um espelho e falei bem alto: ‘Estou linda desse jeito’”, garante Elizete. Ela costumava ir a bailes e festas acompanhada do marido, Roberto Correia Medeiros.

“Eu tentava manter as esperanças, mas ficava meio preocupado, por causa da nossa filha”, afirma Roberto. A auto-estima de Elizete acabou falando mais alto. Há cerca de um ano, ela conseguiu se curar dos tumores.

“Há alguns meses, fui ao médico para um exame de rotina. Ele se virou para mim e perguntou: ‘Cadê os tumores?’ Respondi: ‘Se você que é médico não sabe, como é que eu vou saber?’”, brinca Elizete.

Nos momentos mais críticos da doença, ela chegou a passar 17 dias tendo de dormir sentada por conta das dores lombares. Na época, sofreu fraturas em duas vértebras da coluna. “Quando o médico me deu o diagnóstico de câncer, falou que se eu tivesse demorado um pouco mais para começar o tratamento, teria morrido”, garante Elizete.

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Homem volta a andar após 4 anos numa maca

José Roberto da Silva tem 50 anos de idade. Não é capaz de falar e caminha com certa dificuldade. As deficiências são resultado de um acidente vascular cerebral (AVC) que ele sofreu cinco anos atrás. “Ele chegou do serviço reclamando que a cabeça doía e o braço estava dormente”, conta a mãe, Antônia da Silva, 70 anos.

José foi internado no Hospital Estadual (HE), mas, a essa altura, já não conseguia andar nem falar. “Ele ficou magrinho, sequinho. As pernas dele chegaram a atrofiar”, relata Antônia. Depois que recebeu alta, ele passou a fazer fisioterapia na Sorri-Bauru. No começo, porém, o trabalho pouco dava resultados, já que o paciente mal era capaz de se mexer.

“Ele ficava o tempo todo deitado numa maca”, explica a mãe. Há cerca de um ano, José submeteu-se a uma cirurgia para corrigir o problema nas pernas. Ainda assim, a família teve dúvidas de que ele pudesse voltar a andar.

Um dia, eles se viram forçados a mudar de opinião. “Numa tarde, em casa, ele estava sentado no sofá e começou a se mexer. Todo mundo na sala se assustou. Aí, ele se levantou e saiu caminhando igual criança”, conta Antônia.

A partir daí, José tem se dedicado ainda mais às sessões de fisioterapia na Sorri. Antigamente, ele adorava jogar futebol, inclusive participou de diversos torneios amadores da cidade e chegou a treinar durante alguns meses no Noroeste.

Quando questionado sobre a possibilidade de retornar aos gramados, ele faz um gesto como se quisesse dizer que ainda é cedo para pensar nisso. A prioridade para ele, no momento, é arrumar um emprego.

Há seis meses, José voltou a dirigir. Atualmente, costuma ir às sessões de fisioterapia guiando seu próprio carro. “Tenho um pouco de medo, sabe? Mas preciso admitir que ele é melhor do que muito motorista que se diz normal. É bastante cuidadoso”, afirma a mãe. Atualmente, ele também está namorando.

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