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Idéia nascida no PR prospera em Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 6 min

No início dos anos 1990, grupos de pequenos empresários paranaenses se uniram para investir em novos negócios e, dessa forma, gerar empregos para atender a demanda de trabalhadores que migravam do campo para a cidade. Cada empresário contribuía com uma quantia modesta, que não pesava no bolso, mas que, no conjunto, atingia cifras significativas o suficiente para iniciar novos empreendimentos ou comprar algum em processo de falência.

A idéia extrapolou as fronteiras do Estado e foi adotada em outras regiões do Brasil, inclusive em Bauru. Parecia um bom negócio e, socialmente, mais justo. Ao invés de se investir em ações na Bolsa de Valores, investe-se na geração de emprego e renda. Conforme a empresa prospera, aumenta também o lucro dos investidores.

Quase duas décadas depois, não se ouve mais falar desses grupos de investimento. Eles praticamente desapareceram. No entanto, um ainda resiste em Bauru. Não somente resiste como tem projetos para expandir seus negócios. O Grupo Bauruense de Investidores (GBI) é um dos únicos do Estado e do Brasil que sobreviveram ao tempo.

De acordo com os diretores do grupo, o segredo do sucesso está na maneira como todo o processo foi e continua sendo conduzido. A idéia, eles dizem, era e ainda é boa, só precisa ser trabalhada com calma e com muito planejamento. A escola GBI, de educação infantil e fundamental, é o resultado prático da união dos pequenos empresários bauruenses.

A idéia original era gerar empregos. Hoje, a escola tem cerca de 40 funcionários. Se forem levados em consideração os empregos indiretos, esse número aumenta. E deve ficar ainda maior depois que a prefeitura aprovar o projeto de expansão da unidade, que deverá mais que dobrar sua capacidade de alunos. Com isso, mais funcionários terão de ser contratados.

Para o diretor Marcos Sérgio Ceschini, é uma pena Bauru não ter outros grupos de investimento com essa filosofia de gerar emprego. Na opinião dele, a cidade teria muito a ganhar e os empresários também porque o volume de dinheiro a ser investido por cada um em um novo negócio é pequeno.

Outra possibilidade é investir dinheiro do grupo em alguma pequena empresa com grande potencial de crescimento: um microempresário começa a desenvolver um produto com grandes chances de sucesso comercial, mas não tem dinheiro para expandir o negócio. Ao invés de recorrer a empréstimo bancário, ele receberia ajuda do grupo de investimento, que se tornaria parceiro no negócio. Enquanto um cuida da produção, o outro cuida das finanças.

Segundo o diretor José Carlos Augusto Fernandes, essa foi a filosofia que está dando certo na escola GBI. Professores aposentados que fazem parte do grupo cuidam da direção pedagógica da escola, enquanto os demais cuidam da parte administrativa e financeira. Na avaliação de José Carlos, todo mundo querer dar palpite naquilo que não conhece não funciona, ou melhor, só atrapalha.

Outro requisito básico para o sucesso do grupo é ter paciência. Assim como todo investimento, esse também exige do investidor um período de espera. O retorno demora alguns anos. No caso da GBI, a espera foi de cinco anos até que a escola se tornasse auto-sustentável.

Hoje, cerca de 14 anos após o grupo iniciar suas atividades, os acionistas triplicaram o valor de seus investimentos. “É preciso ter perfil de investidor. Primeiro temos de plantar a semente, e depois esperar que ela germine, cresça e dê frutos”, compara Ceschini.

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Grupo tem 333 acionistas-investidores

O Grupo Bauruense de Investidores (GBI) nasceu por influência e incentivo do Sebrae, em 1996. Na época, havia um esforço para a divulgação, em âmbito nacional, das vantagens em se criar uma empresa de participação comunitária (EPC) - pequenos empreendedores trabalhando em favor da cidade.

Foi tomado como exemplo uma EPC de Umuarama (PR) e de outras cidades da região Sul do País. Com base nesse modelo, nasceu a GBI S/A Participações e Empreendimentos - e muitos outros grupos Brasil afora. Depois de alguns anos, os grupos entraram em decadência e o Sebrae se desinteressou pelo projeto. No entanto, o grupo bauruense continuou sua trajetória.

No início, eram 200 acionistas-investidores, que adquiriam bônus de subscrição de capital (como se fossem ações) a partir de R$ 50,00 por mês. De acordo com os diretores da GBI, o objetivo básico de uma empresa de participação comunitária foi plenamente alcançado, que era criar oportunidades para o pequeno empreendedor aplicar seus recursos financeiros em atividades produtivas.

Após a privatização da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), um grupo de investimento formado por funcionários, que ainda resistia em Bauru, foi incorporado à GBI. Com isso, o grupo passou a ter 333 acionistas. Antônio Curiel Martins, vice-presidente do conselho de administração da GBI e ex-consultor do Sebrae, diz que existem poucas cidades onde esse modelo de gestão empresarial persiste. Ele cita apenas um grupo de Taquaritinga como um dos que alcançaram um certo sucesso e ainda se mantém na ativa no Estado.

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Grupo tem planejamento e diversidade

Antes de decidir onde investir o dinheiro arrecadado, o grupo de investidores bauruenses que formam a GBI S/A Participações e Empreendimentos contratou estudos e pesquisas de viabilidade econômica. As decisões tomadas foram todas com os “pés no chão”.

Entre as alternativas colocadas sobre a mesa para discussão, estava a abertura de um posto de combustível, uma empresa de dedetização, de reciclagem e uma escola, entre outras possibilidades. Os estudos apontaram para uma escola de educação infantil e fundamental como a melhor escolha. Depois que chegou-se a essa conclusão, mais estudos. Desta vez, feitos por uma empresa ligada à Universidade Estadual Paulista (Unesp). A intenção era descobrir qual o melhor lugar para construir a escola. A indicação recaiu sobre o Jardim Marambá, que era um bairro que passava por uma grande expansão habitacional, tanto no sentido vertical como no horizontal, e que vinha atraindo várias empresas do setor industrial, comercial e de serviços. Por fim, a escola foi construída em um terreno ao lado dos residenciais Camélias e Flamboyants.

“Acredito que a maior parte das empresas não sobreviveu por causa do ‘achismo’. Nós, ao contrário, fizemos tudo com base em estudos e pesquisas. Esse foi o nosso diferencial”, afirma o diretor José Carlos Augusto Fernandes.

Além disso, ele cita também o fato do grupo contar com profissionais experientes de diversas áreas, como engenheiros (mecânico, eletricista, civil), dentistas, médicos, economistas, bancários, professores, etc. Na opinião do diretor, isso também contribuiu favoravelmente para o sucesso do grupo de investidores. “Usamos o potencial de cada um para ajudar nas decisões”, comenta.

Na opinião de Antônio Curiel Martins, vice-presidente do conselho de administração da GBI, grande parte das empresas de participação comunitária fecharam porque não tinham um grupo coeso e diversificado como o de Bauru.

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