Na TV vejo a ministra Dilma numa coletiva anunciando estar com câncer. Momento trágico, porém, com certeza, missivistas como sr. Márcio M. Carvalho, que nesta Tribuna, em 23/04, “Lágrimas de Marqueteiro”, destila algo sobre o aparecimento da ministra nos noticiários de uma de nossas TVs, poderão encontrar na doença uma encenação, com intuito de ganhar votos. Esbraveja contra abusos, favorecimentos. Márcio se diz revoltado com uso da máquina pública em inaugurações e eventos oficiais. Porém, enxerga tudo somente com um olho, mantendo o outro fechado, caolhamente. Aqui em São Paulo, nosso governador desfila por todo Interior em inaugurações seguidas, muitas delas pífias, ainda mais agora quando tenta dar uma conotação de ministério ao seu secretariado.
Nossas TVs reproduzem isso tudo a todo instante, com seguidas imagens de todos eles. Campanha na melhor acepção da palavra. Não seria o caso para o sr. Márcio também esbravejar? Ainda no texto, algo preconceituoso, quando denomina a ministra de “Barbie dos Pampas e recauchutada”, por causa de uma plástica. Se bem entendi, mulher não pode fazer plástica, pior ainda se estiver na vida pública e militar num partido da dita esquerda. Sendo assim, o massacre está liberado.
Caro Márcio, sinto muito se a ministra o incomoda. Sei ser ela a bola da vez, mas o que mais agride é o machismo residual a serviço da hipocrisia facciosa.Outro dia um jornalista deu a resposta ideal para gente que pensa dessa forma: “Que culpa terá ela se a seus adversários nem o milagre do bisturi endireita?”.
Henrique Perazzi de Aquino