Genebra - A Organização Mundial de Saúde confirmou ontem 73 casos da gripe suína em quatro países e, diante do alto risco de propagação do vírus para outras regiões, decidiu elevar o seu nível de alerta pandêmico de três para quatro, numa escala que vai até seis.
A organização confirmou 26 casos no México, 40 nos Estados Unidos, seis no Canadá e um na Espanha. Pelo menos outros 12 países investigam casos de suspeita da doença, incluindo o Brasil. A contagem oficial da OMS não incluía, ontem, os dois casos confirmados pelo Reino Unido.
Após mais de cinco horas reunido na sede da organização, em Genebra, o Comitê de Emergência da OMS anunciou suas três principais decisões: subir o nível de alerta pandêmico, descartar as restrições a viagens e manter o foco na redução dos efeitos do vírus, já que sua contenção já não é considerada possível.
“A mudança para uma fase mais elevada do alerta indica que a possibilidade de uma pandemia aumentou, mas não que ela é inevitável”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Ela explicou que a fase quatro indica que o vírus mostrou capacidade de transmissão entre seres humanos e de causar surtos de contágio.
No fim de semana a organização já havia declarado estado de emergência internacional e levantado a hipótese de que o vírus da gripe suína se transforme em pandemia global. Ontemeste risco foi intensificado, com a decisão de elevar o nível de alerta.
Esta é a primeira vez que a OMS coloca o alerta no nível quatro desde que a escala foi criada, em 2005, devido à gripe aviária. O grau cinco indica que há focos em mais de dois países de uma mesma região, e o seis que a pandemia é oficial.
Aspectos econômicos
Ele confirmou que aspectos políticos e econômicos foram levados em consideração, mas que os principais critérios foram “técnicos”. Sobre a decisão da União Européia de recomendar que seus cidadãos evitem viagens a México e EUA, Fukuda disse que entende a preocupação, mas que do ponto de vista da saúde pública não há motivo para a medida.
Ele deixou claro, porém, que a recomendação para evitar viagens se aplica a pessoas já infectadas.
Apesar da proximidade com o México, onde está o foco do surto, Fukuda disse a América Latina não pode ser considerado um alvo preferencial. “Nesta era de viagens globais, nenhuma região está imune’’, disse Fukuda. “E se movermos o nível de alerta para pandemia, todos os paises do mundo estarão expostos”.