Economia & Negócios

Greve pode afetar programa de moradia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Arquitetos e engenheiros da Caixa Econômica Federal (CEF) de Bauru e região entraram em greve ontem, por tempo indeterminado, por reivindicação salarial. A paralisação, deliberada em assembléia realizada na última sexta-feira, faz parte de uma mobilização nacional, que pede revisão no plano de carreira dos chamados cargos profissionais do banco.

O Sindicato dos Bancários de Bauru e região, filiado à Conlutas, esclarece que não há fechamento de agências, já que os bancários estão trabalhando normalmente. No entanto, o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) devem ser afetados pela paralisação, já que os profissionais que entraram em greve são os responsáveis pela análise de projetos, liberação e acompanhamento das obras. Os demais processos de financiamento habitacional oferecidos pela CEF também devem ser prejudicados.

Em Bauru, trabalham na Caixa 12 engenheiros, 3 arquitetos e 13 advogados, segundo o sindicato. Embora estejam lotados na cidade, eles atendem a demanda da superintendência do banco, que abrange 95 municípios.

Carlos Castilho, diretor sindical, afirma que 100% dos técnicos de engenharia e arquitetura locais já aderiram à paralisação. “Somente os advogados não participaram. Mas temos informações de que, a partir de amanhã (hoje), essa categoria também começa a parar”, diz.

Em nível nacional, o movimento é organizado pela Associação de Engenheiros e Arquitetos da Caixa (Aneac) e pela Associação Nacional dos Advogados da Caixa (Advocef). A informação é de que, em todo o Brasil, mais de 80% dos 2.377 mil profissionais já tenham aderido ao movimento.

Motivos

Segundo Castilho, a greve foi deflagrada porque a CEF teria se comprometido a revisar a estrutura de carreira da categoria no acordo coletivo de trabalho de 2008, implantando alterações a partir do primeiro trimestre deste ano para valorizar o quadro profissional dos engenheiros, arquitetos e advogados. Mas, ainda de acordo com o sindicato, a proposta apresentada pelo banco contemplou uma remuneração bem inferior à recebida pelos profissionais que desempenham atividades semelhantes nos demais órgãos do serviço público.

“Se a Caixa continuar tratando esses trabalhadores com esse descaso e não apresentar uma proposta decente, a greve vai continuar e todas as ações de habitação do banco serão prejudicadas”, frisa. Em Bauru, a próxima assembléia será hoje, às 17h, no Sindicato dos Bancários, quando serão discutidos os rumos da paralisação.

Em nota à imprensa, a Caixa informou que segue com o processo de negociação, voltando todos os esforços para chegar a um entendimento com os funcionários. A proposta de reajuste diferenciado, segundo a instituição, tem o objetivo de valorizar a carreira profissional, sem comprometer sua viabilidade técnica e financeira.

Em relação à greve, o banco afirmou que a paralisação é um direito do trabalhador, porém ressaltou que as negociações estão sendo conduzidas de forma transparente e que a entidade tem o interesse de manter o diálogo com os funcionários. Enquanto o impasse não é resolvido, o banco informa que as demandas por serviços técnicos serão direcionadas a empresas terceirizadas de engenharia nos casos considerados “admissíveis” e as “atividades específicas” que envolvam liberação de recursos serão priorizadas.

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