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HE tem leitos para tratar gripe suína

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

O Hospital Estadual de Bauru (HE) é uma das oito instituições de referência no Estado de São Paulo para tratar gripe suína, doença que surgiu no México e tem preocupado governos de todo o mundo. O HE dispõe de equipe especializada e 16 leitos especiais para pacientes com suspeita de contaminação pelo vírus H1N1, causador da infecção. São quartos individuais com pressão negativa (em que o ar não sai do ambiente).

Caso surjam pacientes com gripe suína em Bauru e em outros 67 municípios que integram o Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), eles serão internados nestes leitos isolados. O ar contaminado com o vírus – a doença é transmitida por via aérea - não sairá do quarto nas aberturas de porta devido à diferença de pressão. O quarto é mantido, através de aparelho, com pressão de duas atmosferas (medida de pressão atmosférica), menor que a pressão normal.

Para segurança, cada quarto ainda dispõe de uma antecâmera, também mantida em pressão negativa. Isto faz com que no momento da abertura da porta o ar contaminado com o vírus não saia do quarto. Filtros especiais localizados no teto são utilizados para fazer a saída do ar e eliminar os germes. As janelas são lacradas.

O médico Gustavo Kawanami, coordenador de infectologia do HE, explica porque a instituição se tornou referência no tratamento. “Os dois grandes motivos para sermos referência são os quartos com pressão negativa e a equipe especialmente treinada. Os quatro infectologistas que integram nossa equipe fizeram o treinamento para tratar da gripe aviária há dois anos. Como as doenças são semelhantes, a equipe já estava preparada”, diz.

A diminuição de pressão é sutil e não afeta a respiração. Os pacientes não podem ter acompanhantes e só recebem a visita dos profissionais de saúde devidamente equipados com máscaras, avental e luvas descartáveis. Estes leitos são usados também no tratamento de outras doenças, dentre elas a tuberculose e feridas complexas.

O HE também faz a coleta de exames necessários para confirmar ou não a gripe suína e está autorizado a receber os medicamentos para o tratamento da doença. “Duas drogas recomentadas pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC/EUA), dos EUA, são utilizadas no tratamento. Só temos uma delas no Brasil, que é o Ozeutamivir ou Tamiflu. Este remédio fica estocado em São Paulo, mas se tivermos necessidade, em menos de duas horas ele chega até nós”, relata Kawanami. Não há casos da doença confirmados no Estado de São Paulo. Ao todo, o Brasil tem 20 casos suspeitos.

“Estamos preparados para atender pacientes. A Anvisa publicou guias de recomendação que devem ser seguidas por todos os hospitais. Além disto, as unidades básicas de saúde e os médicos devem ficar atentos aos pacientes de risco e encaminhá-los a nós, se for o caso”, afirma.

São considerados suspeitas pessoas que tenham viajado para os países onde a doença foi constatada - principalmente México, Canadá e Estados Unidos – nos últimos dez dias. Além disso, os infectados apresentam febre de mais de 38 graus e pelo menos um dos demais sintomas da gripe, que são dor de cabeça, dor muscular, dor articular, tosse e coriza.

Kawanami aconselha os cidadãos que se enquadrarem no perfil descrito acima a procurarem seus médicos ou o serviço de saúde da região, mas frisa que os demais brasileiros não devem entrar em pânico.

• Serviço

Mais informações sobre o assunto podem ser encontradas no site do Ministério da Saúde, www.saude.gov.br, ou pelo telefone 0800 61 1997.

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Referência em outros serviços

Além de ser referência no tratamento da gripe suína, o Hospital Estadual de Bauru possui mais oito serviços referenciados: captação e transplante de órgãos e tecidos, terapia renal substitutiva que conta com hemodiálise, tratamento de queimaduras, cirurgias cardíacas pediátricas, oncologia e hepatites virais.

Entre os anos de 2004 e 2008, o HE realizou 274 captações de córneas, seis captações de múltiplos órgãos e 114 transplantes de córnea. O Centro de Terapia Renal realiza 1.300 sessões de hemodiálise por mês. O ambulatório de oncologia trata 1.300 pacientes atualmente e faz 1.100 sessões de quimioterapia mensais.

Segundo Gustavo Kawanami, coordenador de infectologia do HE, há outros dois tipos de infecção nos quais a instituição tem destaque. “Somos considerados referência também no tratamento da leishmaniose e da malária”, afirma. O HE presta serviços exclusivamente para o Sistema Único de Saúde (SUS) e oferece atendimento ambulatorial e hospitalar em mais de 40 especialidades médicas. Mensalmente são realizadas cerca de 1.000 cirurgias, 40 mil exames, 900 internações e 10 mil consultas.

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Viagens são canceladas

Os turistas bauruenses já manifestaram seu medo da gripe suína. Em uma das agências consultadas pela reportagem, de 12 pacotes vendidos no mês de abril cujo destino era Cancun, no México, seis foram cancelados.

“No momento, não há procura de viagens para os destinos de risco da doença e quem comprou pacotes está preocupado. Neste mês vendi 12 viagens para Cancun, mas seis clientes ligaram preocupados e pediram o cancelamento”, conta Carmem Tech, proprietária de agência de turismo.

Outras empresas consultadas não tinham pacotes fechados para destinos como Canadá, México ou EUA, países mais afetados pela gripe suína. Mas, segundo as agências, a procura por viagens para o Exterior é pequena, no ritmo normal.

“Tanto Cancun quanto todo o Caribe têm bastante procura aqui na agência. No momento não temos pacotes fechados”, diz Marcelo Fernandes, consultor de viagens.

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