Pirajuí - Um clínico geral de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) foi acusado ontem por uma paciente de tê-la molestado sexualmente, durante consulta, realizada no período da manhã, no hospital da cidade. O médico, que tem 79 anos, chegou a ser preso em flagrante pela Polícia Militar, mediante acusação de suposto “atentado violento ao pudor”, mas foi solto ainda ontem, por força de um habeas corpus concedido pela Justiça. O nome não foi divulgado.
Conforme registros da PM de Pirajuí, a suposta vítima, uma dona de casa de 39 anos, moradora do bairro Congonha, na zona rural, acusa o médico de ter tocado em suas partes íntimas e, em seguida, ainda conforme a denúncia, expor o órgão genital e pedir para que a paciente o tocasse.
Na delegacia, o clínico geral também recebeu voz de prisão em flagrante da delegada titular do município, Rosimeire Bárbara de Sousa, também de acordo com boletim de ocorrência da Polícia Militar. Entretanto, a delegada não foi localizada ontem para comentar o episódio. A possível remoção do acusado para a Cadeia Pública de Duartina chegou a ser cogitada, no entanto, o mesmo obteve o direito de responder em liberdade.
A advogada do médico, Daniela Rodrigueira, se restringiu a não detalhar o caso já que o episódio, de acordo com ela, corre em segredo de Justiça. “Trata-se de uma ação penal privada e não podemos nos manifestar”, argumenta.
Os PMs, que atenderam a ocorrência, afirmam que a suposta vítima, casada e mãe de dois filhos, estava bastante abalada quando solicitou a presença dos policiais no estabelecimento de saúde. Ainda conforme a Polícia, tanto acusado quanto a dona de casa não têm antecedentes criminais.
Sindicância
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) poderá abrir uma sindicância para apurar a acusação da paciente. Dotado de um comitê destinado exclusivamente ao julgamento de casos do gênero, o conselho de medicina, de acordo com o médico Carlos Alberto Monte Gobbo (integrante do colegiado), geralmente, é acionado pela própria Polícia Civil e instaura também investigação paralela.
“É aberto um processo para apuração da suposta falta de ética. Caso o fato seja comprovado, após julgamento, o registro profissional é cassado”, detalha o conselheiro. Apesar da abertura de sindicância, Gobbo, no entanto, frisa que, casos desse gênero, dificilmente, resultam em condenações, em virtude da dificuldade observada em reunir evidências. “Muitas vezes, é palavra contra palavra”, observa. “Na maioria das vezes os acusados acabam inocentados por falta de provas”, constata.