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Com corte de 1,0 ponto, BC reduz juros a menor da história

Folhapress
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Brasília - O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou ontem uma nova redução na taxa básica de juros. A Selic caiu de 11,25% ao ano para 10,25% ao ano, o menor patamar da história. Trata-se da terceira redução seguida da taxa básica, que estava em 13,75% ao ano no início de 2009. Em janeiro, o Copom reduziu a Selic para 12,75%, e em março para 11,25%.

Desde o final de 2003, no início do governo Lula, o BC não promovia uma seqüência de cortes de juros dessa magnitude. Agora, os diretores do BC só voltam a se reunir nos dias 9 e 10 de junho, daqui a 45 dias, quando deve haver um novo corte. No mercado financeiro, as apostas eram de um corte de 1 ponto percentual. Desde a última reunião, o BC vem indicando que iria dar continuidade ao processo de redução da taxa Selic, devido ao agravamento da crise econômica.

De acordo com a pesquisa Focus, realizada pelo BC com o mercado financeiro, os economistas esperam agora mais dois cortes seguidos nos juros: para 9,50% em junho e 9,25% em julho. Depois disso, a taxa só voltaria a cair em 2010, para 9% ao ano.

Apesar do corte de ontem, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo. Em termos nominais, o Brasil fica atrás apenas dos juros na Venezuela (17,10%), Islândia (15,5%) e Rússia (12,5%). Em relação aos juros reais (descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses), o Brasil perdeu a liderança com o novo corte. A taxa caiu para 5,8%, atrás da China (6,6%) e da Hungria (6,4%), segundo cálculos da consultoria Uptrend.

Nas grandes economias mundiais, a crise já derrubou os juros para patamares próximos de zero. É o caso dos EUA (entre 0,25% e 0%), União Européia (1,25%), Coréia (2%) e Austrália (3%).

As previsões de queda no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e a desaceleração da inflação são dois dos indicadores que abriram espaço para uma redução maior dos juros. O governo já revisou a previsão de crescimento da economia de 3,5% para 2% em 2009. O BC prevê uma expansão de apenas 1,2%, enquanto o mercado financeiro já vê uma taxa negativa de 0,39%.

O principal reflexo da queda da taxa básica até agora é nos juros bancários. De acordo com a pesquisa mensal do BC, a taxa média geral - incluindo pessoa física e jurídica em todas as modalidades pesquisadas - caiu em março pelo quarto mês seguido e está em 39,2% ao ano. Para o consumidor, os juros recuaram para 50,1% ao ano.

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