Brasília - O Ministério da Saúde anunciou ontem que o Brasil tem dois casos de suspeita de gripe suína. Os pacientes, um em Belo Horizonte e outro na Capital paulista, voltaram recentemente do México, país que já tem 26 registros confirmados da doença segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Outras 36 pessoas estão sob monitoramento.
Segundo Gerson Penna, secretário de Vigilância em Saúde do ministério, o Brasil terá os reagentes necessários para a confirmação do diagnóstico em até dez dias, já que apenas anteontem a OMS publicou na internet a sequência genética do vírus. Só depois disso será possível saber se os dois pacientes realmente têm influenza suína. Eles, porém, já começaram a receber o tratamento específico para a gripe, com antivirais.
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou que o caso suspeito na Capital é o de um homem de 28 anos que esteve na Cidade do México, principal foco da doença, entre dia 12 e 26 deste mês.
O homem está internado no hospital de referência Emílio Ribas, em São Paulo, que tem sido procurado por quem cogita estar com a gripe. Outros sete pacientes também estão internados no hospital por terem voltado recentemente de países já afetados, mas não são considerados casos suspeitos.
Outras duas pessoas estão internadas em Campinas. Ainda segundo a secretaria, cinco pessoas estão sendo monitoradas, mas não foram internadas. Mais 21 pacientes estão sendo monitorados no País, em dez Estados: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.
Para que se enquadrem como caso suspeito, terão que obedecer a pelo menos duas condições: febre repentina de mais de 38 graus e tosse; e ter os sintomas até dez dias após deixar locais com casos da doença ou ter tido contato com alguém com a suspeita de ter o vírus.
Como não têm o reagente necessário, os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio, por ora estão fazendo um diagnóstico de exclusão: comparam as amostras com os protocolos de todas as influenzas existentes no mundo. Até ontem, o instituto havia analisado 13 amostras. Em cinco casos, já havia sido descartada a hipótese de gripe suína. No restante, não havia diagnóstico final.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez um novo apelo para que a população não se automedique. Disse que as vacinas contra gripe e os remédios disponíveis nas farmácias não são eficazes contra a doença e podem mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico.
Segundo ele, o Tamiflu, medicamento que pode ser usado contra a doença, só está em poder da pasta ou das secretarias de saúde. Hoje todos os Estados receberão a quantidade para fazer 20 tratamentos cada um. São Paulo e Rio de Janeiro já têm a possibilidade de realizar 200 tratamentos. O ministério tem 9 milhões de doses, na forma de princípio ativo.
Temporão afirmou que seria “irresponsabilidade” dizer que não há risco de o vírus chegar ao Brasil, mas disse que o sistema está preparado para isso.
O ministério recomenda às pessoas que se dirigirem às áreas afetadas que usem máscaras e evitem aglomerações. Informações podem ser obtidas no site www.saude.gov.br ou pelo telefone 0800-61-1997.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou ontem que irá monitorar todos os voos internacionais, ação antes restrita apenas às aeronaves procedentes de países com casos confirmados.
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Lula x comer carne de porco
Brasília - O ministro Reinholds Stephanes (Agricultura) pediu ontem que a população continue a consumir da carne de porco, já que não existe riscos de contração da gripe suína por meio da ingestão do alimento. “Não há nenhum problema em se comer carne suína. A grande preocupação nossa é que se crie a idéia de que comer carne de porco faz mal, e não faz. Transmite a idéia de que é o suíno que transmite o vírus aos humanos, o que também não é verdade”, afirmou.
Na tentativa de tranqüilizar a população quanto ao consumo da carne de porco, Stephanes disse que vai sugerir ao presidente Lula para, juntos, consumirem carne suína em um restaurante na semana que vem, caso o alarme sobre a doença se mantenha. “Com certeza vou convidar o presidente da República, na próxima semana, para irmos a um restaurante ou fazermos um porco no rolete. Com certeza nós vamos fazer, ou então vamos consumi-lo na Embrapa”, afirmou. Stepnhanes disse que o cardápio do seu almoço ontem foi carne suína. “Estava muito bom, sem nenhum problema.”
O ministro disse que não concorda com a denominação gripe suína, uma vez que o vírus não é transmitido por porcos. Na avaliação de Stepnhanes, o governo brasileiro deveria tratá-la de gripe mexicana. “Pela história de outras gripes, elas levaram o nome do local onde surgiram."