Nesta semana, Bauru perdeu dois ícones na história da cidade. Na noite de segunda-feira, o ex-secretário municipal de Finanças e ex-chefe de gabinete Eloy Arantes morreu aos 91 anos, por falência renal. No mesmo dia, o ex-carregador da Estação Ferroviária de Bauru, Luiz Cornélio, 92 anos, faleceu vítima de acidente vascular cerebral (AVC).
Viúvo e pai de cinco filhos, três mulheres e dois homens, Eloy foi internado no dia 23, após sofrer um aneurisma na aorta abdominal. Segundo o seu genro e professor aposentado Mário Dimas Cardi, no dia 24, data em que completou 91 anos, ele passou por uma cirurgia que durou cerca de oito horas. Dias depois, ele teve falência renal e morreu por volta das 22h30.
Eloy nasceu em Ibitinga, mas adotou Bauru como sua cidade. Na década de 1970, foi secretário municipal de Finanças na administração de Alcides Franciscato. Na administração de Edson Bastos Gasparini, na década de 1980, atuou como chefe de Gabinete. Ele também foi professor dos cursos de direito e de ciências econômicas em instituições de ensino superior privadas de Bauru e Araraquara.
“Ele sempre foi um homem muito forte e também muito honesto. Era um político raro, que não aceitava ser corrompido”, afirma Mário.
Luiz Cornélio era casado e pai de sete filhos, cinco mulheres e dois homens. Nasceu em Agudos e veio para Bauru após o falecimento do pai. “Meu avô morreu e meu pai foi ‘pai’ de três irmãs. Ele era o único filho homem e teve que ajudar minha avó que trabalhava como camareira em um hotel perto da Estação Ferroviária”, conta a filha caçula e jornalista do JC, Rita Cornélio. “Nesta época, ele trabalhou como pedreiro e ajudou a construir a Estação Ferroviária. Depois de finalizada, começou a trabalhar como carregador de malas, onde ficou por 28 anos. Conhecia todo mundo, desde o batedor de carteira aos donos de hotel. Por isso, havia muitas pessoas que quando vinham para Bauru já agendavam horário com ele para que levasse as malas até os hotéis que ficavam na região”, acrescenta.
Antes disso, nos anos de 1938 e 1939, Luiz serviu o Exército no 4.º Batalhão de Caçadores, em São Paulo. Também trabalhou nos Correios e casou-se em 1941. Segundo a filha Ana Maria Cornélio Parolim, uma das paixões de seu pai era o futebol. “Ele tinha um time de futebol chamado Portuguesinha e muitos médicos, promotores e contabilistas da cidade participavam. Além disso, o Pelé, na época em que morou em Bauru, treinou no time”, relembra.
Quando se aposentou como carregador, Luiz comprou uma garapeira para vender garapa na frente da Estação. “Ele não queria sair de lá, pois conhecia tudo mundo”, conta a filha caçula.
Outra paixão de Luiz era a música e a bicicleta. “Apesar da pouca instrução escolar, meu pai gostava muito de música. Lembro que, quando éramos crianças, ele colocava todos os filhos no sofá para escutar música, na época era disco de vinil”, recorda Rita. “Além disso, adorava bicicleta e pedalou até os 75 anos”, finaliza.