Após quatro dias de angústia, finalmente, ontem à tarde, Ivanete José Santos, 27 anos, enterrou o filho, nascido morto no último sábado. Conforme o JC publicou ontem, a família não conseguia obter a certidão de óbito. O seputalmento, ocorrido no Cemitério do Redentor, em Bauru, só não levou mais tempo para ser realizado graças a uma decisão judicial obtida no final da tarde de terça-feira.
Além de resistrar boletim na polícia para apurar a morte, a família afirma que transtorno será cobrado com ação indenizatória na Justiça, que pôs fim à dificuldade da família em obter a certidão de óbito do recém-nascido. Por conta de uma suposta contradição no documento fornecido pela Maternidade Santa Izabel, onde Jonathan nasceu, o cartório informou impossibilidade em emiti-lo. Sem a certidão, a Funerária Municipal se recusou a fazer o sepultamento sob o risco de cometer uma ilegalidade.
Com respaldo judicial, o bebê foi enterrado, mas após passar ontem por exame necroscópico no Instituto Médico Legal (IML). A medida partiu de uma orientação passada ainda no Fórum, anteontem, à família de Ivanete. A partir da recomendação, ela procurou o 3.º Distrito Policial para registrar um segundo boletim de ocorrência. Na oportunidade, o exame de necropsia foi solicitado.
Segundo o histórico do último documento registrado na Polícia Civil, a interferência do IML se faz necessária por conta de uma contradição referente à morte de Jonathan. O médico teria informado à mãe, que teriam tentado reanimar o bebê, quando ele nasceu. Depois, o mesmo profissional teria dito a parentes dela que ele já havia nascido morto e o procedimento não havia sido feito. A necropsia foi realizada ontem à tarde, quando foram retirados fragmentos para exame anatomopatológico (microscópio), que selará o diagnóstico final, informa o diretor do órgão, Ivan Segura. De acordo com ele, para não encaminhar para São Paulo, o material será enviado para um laboratório particular de Bauru, que gentilmente tem atendido o IML. Segura acredita que até a próxima semana o laudo esteja pronto. O boletim de ocorrência registrado no 3.º DP, foi remetido para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que vai abrir inquérito para apurar a morte do bebê. Seja qual for o resultado, a família de Ivanete recorrerá à Justiça para requerer indenização pelo transtorno sofrido, seja contra a maternidade, seja contra o cartório. “Casou um desgaste emocional incalculável. Alguém vai ter que arcar. Fomos procurados por vários advogados”, comenta a tia do bebê Maria Vilma dos Santos, logo após o sepultamento, que reuniu apenas familiares.