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20 mil famílias deixam lares por conta de cheias no AM

Folhapress
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Manaus - No Amazonas, as cheias já fizeram com que 20 mil famílias tivessem de sair de suas casas.

O rio Juruá, por exemplo, atingiu um nível recorde: 17 cm a mais do que o máximo já medido. Ontem, chegou à cota inédita de 26,76 m, superando a de 1999 (26,59 m), segundo o Serviço Geológico do Brasil, órgão do governo federal que faz o monitoramento dos rios.

Outro rio, o Negro, está a apenas 97 cm de igualar a marca alcançada no ano da maior cheia da história no Estado (29,65 m), em 1953.

Em Manaus, um parque de exposição agropecuária serve de abrigo para mais de 325 famílias que moram as margens de igarapés e tiveram de ser retiradas de casa.

Técnicos da Secretaria Nacional de Defesa Civil estão no Estado avaliando a enchente, que foi classificada como desastre natural de grande intensidade. O governo decretou situação de emergência nos 62 municípios.

Em 28 cidades, aulas foram suspensas. Em visita a Manaus nesta semana, o presidente Lula prometeu ajuda.

A enchente deste ano é uma "coincidência relativamente rara'' de cheia antecipada e subida anômala do rio Solimões, segundo o geólogo e professor da Universidade Estadual do Amazonas Naziano Filizola.

Ele diz que as fortes chuvas de janeiro, concentradas na porção leste da bacia, especialmente nos rios peruanos Marañon e Napo, originaram fortes fluxos no Solimões, cujo nível subiu "anomalamente'' cinco metros em cerca de 20 dias.

Segundo Filizola, como a cheia no Solimões foi antecipada, o Negro e outros rios acabaram afetados.

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