Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que usou a cota de passagem aérea da Câmara, quando foi deputado federal, para levar sindicalistas para Brasília. Para Lula, não é crime usar a cota de passagem aérea para essa finalidade.
"Não acho crime deputado dar passagem para o dirigente sindical ir a Brasília. Eu, quando era deputado em Brasília, muitas vezes convoquei dirigentes da CUT e de outras centrais para se reunirem [lá] com passagens no meu gabinete'', disse Lula.
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), admitiu ontem ter dado passagens aéreas para o movimento sindical.
Lula afirmou que nunca usou as cotas de passagens para levar parentes para o exterior. "Graças a Deus não levei nenhum filho meu para a Europa. Mas acho que o deputado levar mulher para Brasília, qual é o crime?", questionou.
O presidente chamou de hipocrisia as denúncias sobre o uso irregular da cota de passagens aéreas da Câmara pelos deputados federais. Para o presidente, não é crime o deputado usar a cota para levar a mulher para Brasília.
"Existe uma hipocrisia muito grande nessa história da Câmara. Sempre foi assim. Não vejo onde está o tamanho do crime em levar a mulher ou o sindicalista para Brasília'', disse ele.
O presidente afirmou que não é correto dar passagens da Câmara para parentes e amigos. "Não acho correto, mas não acho crime dar passagem para outra pessoa. O problema do Brasil não é esse. Isso pode ser corrigido por decisão da Mesa [Diretora da Câmara]'', disse. "Esse não é o mal do Brasil. Se o mal do Brasil fosse esse, o país não teria mal.''
Para o presidente, a mídia está dando importância demais para o caso da farra das passagens. "A imprensa está dando dimensão demais para uma coisa que pode ser corrigida pela Mesa. Isso já está na imprensa há mais ou menos um mês.''
Segundo Lula, é hora do Congresso começara trabalhar para aprovar projetos importantes para o país. "Temos coisas importantes para discutir e aprovar no Congresso Nacional.''
Lula já havia minimizado anteontem a farra das passagens.