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Campeonato Paulista: Final alvinegra faz ‘esquentar’ rivalidade saudável em família

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

A final de hoje do Campeonato Paulista mexe com os nervos de alvinegros, os corintianos e os santistas. Quem perder o título já sabe que amanhã, no famoso dia seguinte, terá de ouvir as gozações do outro lado e até dos rivais são-paulinos e palmeirenses, eliminados nas semifinais, que assistem ao duelo de camarote, prontos para disparar contra o lado perdedor. São os amigos no trabalho, na rua, que não perdem a chance de um comentário jocoso. Mas têm torcedores que sofrem ainda mais, pois o “inimigo” espreita dentro de seus lares. Quem tem um parente próximo que torce para um time rival sabe que não é fácil. Dois torcedores bauruenses vão viver esta emoção na partida de hoje. João Teodoro, o sogro, e José Carlos Teixeira, o genro. O primeiro santista, o segundo corintiano.

Teodoro dá mostras de que só resta um fio de esperança de ver a taça na Vila Belmiro, depois dos 3 a 1 aplicados pelo Corinthians no primeiro jogo das finais. “Acredito que seria um milagre. Sou santista, mas não sou tão otimista assim”, confessa. Teodoro ainda faz um análise bastante crítica. “Deram moleza para o Santos chegar à final, mas dificilmente (conquista o título). Vou torcer muito, mas complicou. Se o Santos jogasse com a mesma garra que o Corinthians jogou e aquelas bolas (chances perdidas na primeira partida da final) entrassem... Mas tudo é possível. Vou continuar um pouco pessimista, mas temos que defender as cores da gente”, opina.

Para ele, o Santos fez mais que o esperado. “Quem tinha que fazer frente para o Corinthians era o Palmeiras, que estava no auge, ou até o São Paulo. Mas o Santos jamais. Achava que ficar entre os quatro seria difícil. Revertemos (a vantagem do Palmeiras), fomos para a final e estamos passando esta vergonha”, brinca. Em seguida, faz um desabafo bem-humorado. “Temos que escutar coisas do tipo: ‘o santista está comprando dois ingressos para a final, um para assistir ao jogo e outro para assistir ao show do Ronaldo’. Essas piadinhas”, reclama, entre risos. Já Teixeira é sucinto ao comentar o que espera para a grande final. “A expectativa é a vitória corintiana. Vamos fazer barba e cabelo”, aposta.

Ambos garantem que a rivalidade é amigável no seio da família. “Ele (Teodoro) tira um sarro. Quando o time ganha, ele já vem direto. Às vezes, eu estou meio cismado. Igual na segunda divisão, eu não assisti, não pude assistir, porque ele ralava: ‘está ganhando, mas também time de segunda’. Agora...”, comenta Teixeira. “Ele é um paizão e não dá para brigar com ele, porque ele é um pouco forte. Mas é tranqüilão, já acostumou a sofrer, está calejado, faz tempo que eles (santistas) não ganham nada. Coitadinhos, só vivem na zona de rebaixamento”, provoca o corintiano.

Teodoro também garante que o genro é sossegado. “O Teixeira é bacana. Sabe aqueles corintianos cansados, o Teixeira é um corintiano cansado, cansado de sofrer. Nas décadas de 60, 70, o Santos estava no auge, a gente estava por cima da carne seca, escravizou o Corinthians naquela época. Mas hoje não tem time para isso. Infelizmente ou felizmente chegamos à final, mais por culpa dos outros times, que eram melhores e não tiveram competência. Já pensou o Palmeiras, o São Paulo... É brincadeira, né?”, questiona.

O santista confessa que hoje sua rivalidade maior nem é com o Corinthians, mas com outro grande da Capital, o São Paulo. “Eu, antigamente, na década de 60 e 70 era muito anticorintiano, mas, hoje, sou mais antisão-paulino. Os caras estão com o ‘rei na barriga’, acham que tudo eles têm que ganhar. Quando perdem, falam que jogou o time misto, o time reserva, que o Rogério Ceni estava com dor de barriga. Eu tenho um são-paulino (o filho Sérgio) aqui que é dez vezes pior do que o corintiano, é uma íngua, uma dor de dente, dá trabalho. Hoje, minha bronca é mais contra o São Paulo”, afirma, diverte-se.

Teixeira também tem suas queixas contra os filhos de Teodoro, no caso a filha com quem casou. “Ela me sacaneou, namoramos três anos e ela vibrava com jogo do Corinthians, me deu medalha de honra ao mérito do Corinthians, fez festa. Agora: ‘odeio o Corinthians’. Ela é são-paulina. Depois que me laçou, agora diz que é são-paulina. Mas só fala para encher o saco”, acredita. Porém, muito brincalhão, antes do final da conversa, alerta o repórter. “Quando você for casar, fique esperto.”

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