Ser

“Sou a cara da minha mãe”

Márcia Duran
| Tempo de leitura: 3 min

“Sê teu filho”, recomenda Fernando Pessoa em uma de suas obras. A sabedoria do poeta lembra da importância de se manter a individualidade de cada um. Longe de querer reproduzir o modo de vida dos pais, os filhos seguem caminhos diferentes. Mas como uma planta e seus frutos, a natureza se encarrega de providenciar as semelhanças, sejam elas físicas ou de personalidade.

É a herança genética que passa as características de pais para filhos. Também a convivência intensa acentua essas mesmas semelhanças, sejam no gestual, modo de falar, entonação de voz e comportamento.

Quando um bebê nasce, a primeira observação das visitas é como ele se parece com o pai ou a mãe, com o avô paterno ou materno, independente da criança, logo ao nascer, não se parecer com ninguém.

Entretanto, é impossível não admitir a semelhança física em alguns casos como o da atriz Fernanda Montenegro e sua filha Fernanda Torres, que também dividem a profissão de atriz e já protagonizaram vários trabalhos juntas, como o filme “Casa de Areia”. Ou da eterna “namoradinha do Brasil”, Regina Duarte e sua filha Gabriela Duarte, e da cantora Sandy e sua mãe Noely.

Para a dona de casa Viviane Menom, moradora de Bauru, além da aparência, o filho mais velho, João Pedro, 8 anos, divide com ela muitos aspectos de sua personalidade. “Eu sou calma e ele também é.”

A filha caçula, Larissa, de apenas 2 anos, segue pelo mesmo caminho. Cada dia mais parecida com a mãe, ela já começa a apresentar as mesmas características de temperamento. “Mas também acho que eles se parecem muito com o pai. É uma mistura dos dois”, defende ela.

Para cuidar dos dois filhos mais de perto, ela deixou o emprego de secretária em uma clínica médica. “Senti que precisava de mais tempo com eles.”

Muitas pessoas defendem que reside na convivência a chave do segredo para um ser humano ficar cada vez mais parecido com o outro. Dessa forma, se assimila o mesmo tom de voz, se reproduz os gestos, se desenvolve os mesmos gostos... Com a “ajuda” dos genes, as pessoas de uma mesma família ficam cada mais vez mais parecidas umas com as outras.

Mãe de quatro lindas filhas, a professora universitária Terezinha Zanlochi vê em cada uma delas um pedaço de si. “A mais velha Cynthia é despojada. Flávia é muito disciplinada. Ana Glenda é ousada e Vívian é muito solidária. Uma pessoa de iniciativa.”

Mas logo se vê que, na aparência, Vívian é a que mais saiu à mãe. Formada em direito, ela optou pela carreira de modelo profissional em São Paulo. “Ela é uma pessoa mais emotiva do que eu, mas somos muito parecidas em outros aspectos, além da aparência.”

A avó Matilde também se parece muito com a filha Terezinha e as quatro netas. Uma casa de belas mulheres. “Quando eu vejo as minhas quatro filhas, sinto como a criação é uma coisa maravilhosa. Eu me sinto realizada ao ver que cada uma delas tem um pedacinho de mim. É como uma árvore e seus frutos... E fico mais feliz ainda quando sinto o quanto elas me querem bem.”

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