Ser

Diálogo no lugar de sermão!

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

“Eu amo a minha mãe”, “Minha mãe pega no meu pé” e “As mães deveriam ser imortais” são apenas três das mais de mil comunidades no Orkut (o site de relacionamento mais popular entre crianças e adolescentes) feitas para elas e que ilustram a “batalha de amor” diária entre mães e filhos, onde devem existir regras e limites, mas também diversão.

A mãe pode e precisa ser amiga dos filhos para que haja confiança na relação entre eles. Mas, segundo a psicóloga Maria Ivone Marques, os filhos precisam saber que estão lidando com a mãe, ou seja, alguém a quem devem respeito e satisfações.

A educação não deve ser opressora nem permissiva. Marques explica que os filhos devem ouvir “não” e que isso não é falta de amor ou crueldade dos pais. Ao contrário, significa carinho e preocupação.

Mães que deixam os filhos soltos para fazer o que quiserem acabam, mesmo sem querer, passando a mensagem de que não cuidam e não ligam para eles. “Mesmo brigando com os limites, os adolescentes precisam deles e, no fundo, gostam porque se sentem cuidados”, acrescenta a psicóloga.

A fórmula da educação usada pela empresária Telma Cristina Martins de Siqueira Janson une amizade e disciplina. Ele conta que isso vem dando certo com os filhos, que não dão trabalho na escola, nem em casa. A não ser, é claro, aquelas pequenas travessuras típicas da idade. “Eles vão bem na escola, mas sempre tenho que ficar lembrando: já fizeram a lição de casa e já estudaram hoje?”, comenta.

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Companheira para todas as horas Entre um sorriso e outro e pelos olhares de cumplicidade, dá para perceber fácil a sintonia existente entre a mãe Telma e seus filhos Melissa, 14 anos; Daniel, 12 anos; e Gabriela, 10 anos.

Melissa só reclama da determinação que a mãe deu para o uso do computador. Ela fala que, embora a mãe coloque regras, ela também é amiga e conselheira. “Conto para ela quase tudo que conto para as minhas amigas.”

Amizade pode ser um sinônimo de diversão. É exatamente assim que mãe e filhos se sentem na maior parte do tempo. “Sou amiga deles. Nos divertimos muito. Uma vez inventamos o dia da mãe semanal. Era um dia entre mãe e filhos. Assim que chegavam da escola, eu os pegava e passávamos o dia todo juntos. Fazíamos compras, passeávamos no zoológico, enfim, era nosso dia de alegria”, lembra.

Brincadeiras entre mãe e filhos ajudam no crescimento saudável e feliz das crianças. E elas guardam isso para a vida toda. A pequena Gabriela, em entrevista à reportagem sobre as lembranças que tem da mãe quando menor, riu e logo começou a contar sobre uma brincadeira que Telma fazia com os filhos. “Ela colocava uma meia na cabeça e saia tentando nos pegar. Era muito engraçado”, lembra-se Gabriela.

O pior dia da vida de Telma foi quando sua filha mais velha, Melissa, sofreu um acidente e perdeu um dos rins. Ela estava em um pula-pula quando caiu e teve o órgão afetado. A mãe da menina conta que, naquele momento, seu mundo desabou. Foi a maior dor que já sentiu. “Só quem é mãe sabe o medo de perder um filho. Mas, quando minha pequena voltou para casa, foi a maior de todas as alegrias. Acredito que ser mãe é conhecer o verdadeiro amor. É um presente de Deus”, lembra.

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Sem muita falação Muitas mães estão acostumadas a passar verdadeiros sermões em seus filhos e acreditam que é uma boa tática para educar seus pimpolhos. Enganam-se.

A psicóloga clínica especialista em família e casal, Maria Ivone Marques, explica que o importante é a correção firme, coerente e sem muita falação. Ensinar a se cuidar e a prestar atenção nas coisas.

No caso de adolescentes, a maior dica que ela dá é a orientação. Dizer para não beber quando sair e mostrar o por que isso não deve ser feito é uma boa tática. Segundo ela, a conscientização tem mais peso e leva à responsabilidade.

Nada de ficar passando sermões nos filhos. Ser repetitiva e dizer sempre a mesma coisa não é uma boa alternativa para educar seus filhos. E se os sermões vierem com ameaças? Piorou! Uma ameaça acaba passando para a criança ou para o jovem a idéia de que eles não são confiáveis e isso pode estimulá-los a fazer a tal coisa errada, já que eles acreditam que você não confia neles.

Frases do tipo: “Se você fizer isso ou olhe lá hein...”, não são nada boas. Seu filho não deve ser cobrado por uma coisa que não fez.

De acordo com a psicóloga, a conscientização tem mais peso e poder gerador de responsabilidade.

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