Os próprios moradores dos loteamentos ofuscados na regiões dos jardins Bela Vista e Redentor, Altos da Cidade e Vila Falcão admitem que não lembram na hora de preencher um cadastro ou enviar uma correspondência de colocar o verdadeiro nome do bairro onde residem. Sônia Soares Ferreira, que reside no Jardim Maria Angélica, admite que muito raramente usa o nome do bairro para um cadastro ou para mandar uma correspondência. “Na verdade sempre digo que minha casa fica no Jardim Godoy, a maior parte dos moradores dessa região fazem assim”, justifica.
De acordo com ela, suas correspondência sempre chegam, independente se no remetente ou destinatário estiver Jardim Godoy ou Maria Angélica. Eliana Mendes, moradora da Vila Mesquita, vai mais além e conta que sempre se refere ao lugar como Altos da Cidade que oficialmente nem existe. “O carteiro me disse uma vez, que devo ficar atenta ao numeral do CEP para não correr o risco de ficar sem receber uma correspondência ou ver algo que enviei para alguém retornar por endereço inexistente”, conta.
José Carlos dos Santos, conta que há cerca de 20 anos adquiriu uma residência na região do Jardim Godoy, mas ao chegar no Cartório de Notas para registrar a compra, levou um susto e tanto. “Quando eu comprei o imóvel o proprietário me informou que a residência estava localizada no Parque Santa Cecília e o rapaz do cartório me informou que no local informado não havia nenhum imóvel com as característica do que havia adquirido. Felizmente, a confusão foi resolvida, na verdade a casa adquirida por mim estava no loteamento São Cristóvão”, explica.
De acordo com professor de arquitetura da Universidade Paulista (Unip) Edmilson Queiroz Dias, essa prática de chamar diversos loteamentos próximos pelo nome do mais conhecido não é uma pratica adotada apenas pelos moradores de Bauru. De acordo com ele, em várias cidades diversos loteamentos com nomes próprios são ofuscados pelo nome do maior ou do mais antigo. “Em São Paulo a região do Morumbi é composta por diversos loteamentos, mas que mora no local ou que vive em São Paulo prefere chamar toda aquela região por Morumbi que na verdade trata-se apenas do loteamento onde se localiza o estádio de futebol”, exemplifica. Para alguns moradores, dizer que sua residência está na região do Altos da Cidade, por exemplo, agrega mais valor ao imóvel do que falar o verdadeiro nome do loteamento.
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CEP nas placas salva evita ‘colapso’ na entrega de correspondências
Como a maior parte dos moradores adotam, inclusive em suas correspondências, o local mais conhecido da região onde residem, seria complicado para os carteiros entregarem todas as correspondências ao destinatário seguindo os nomes das ruas e bairros. O adequado uso do Código de Endereçamento Postal (CEP) é imprescindível para que os Correios possam entregar com segurança e rapidez os objetos que lhe são confiados.
“No caso, uma pessoa pode residir na Vila Camargo e no destinatário de sua correspondência estar Parque Vista Alegre, se o CEP estiver correto, sua carta ou correspondência chegará em suas mãos dentro prazo previsto, caso contrário, é possível que essa encomenda ou carta retorne ao seu remetente, devido ao endereço fornecido estar incompleto", explica um funcionário dos Correios que pediu para não ser identificado.
Com CEP inadequado ou errado, as correspondências e encomendadas demandam mais tempo para serem devidamente separadas e entregues. Há ainda a possibilidade de algum objeto ser entregue em endereço incorreto, devido a existência de mais de uma rua ou bairro com o mesmo nome, o exemplo em Bauru é o parque Araruna que fica em uma determinada região da cidade e o Jardim Araruna que fica na região da Bela Vista. O CEP atualmente é composto de 8 dígitos, divididos em duas partes separadas por um traço, uma de 5 algarismos e outra com 3. O antigo CEP com 5 dígitos não é mais usado.
Se o CEP é a salvação os Correios para a entrega das encomendas e correspondências, os entregadores de pizzas, compras e mesmo os ofice-boys da cidade que não tem esse código sofrem com a generalização do endereço feita pelo moradores. Edmilson Luiz de Castro que trabalha em uma pizzaria na cidade conta que por diversas vezes teve que voltar com a encomenda para a pizzaria por não conseguir localizar o endereço fornecido no bairro citado. “Você perde tempo para procurar no Higienópolis, por exemplo, uma rua que na verdade fica na Vila Cardia, mas devido todos moradores achar que os dois bairros são um só, por diversas vezes a pizza chega fria ao local”, relata.