Fora das atividades escolares, os orientadores reforçam em coro que é importante uma força-tarefa dos pais. É interessante que proporcionem situações nas quais a criança possa convidar um amigo para ir à casa dela, expandindo o grupo de amizades, que não deixe de participar de situações sociais - como as festas de aniversário e excursões, já que em um ambiente diferente ela poderá se soltar - e que esteja sempre em contato com crianças que não estudam no colégio, como vizinhos.
Quando a criança se isola, por menor que seja, seus amigos de sala de aula percebem e costumam reagir.
“A criança tem uma coisa que é bastante má, já que ainda não tem essa censura social. No caso do esporte, por exemplo, caso o aluno seja ruim no futebol, os meninos irão boicotá-lo no grupo. É aí que a gente tem de trabalhar”, alerta Maria Isabel Valentini Saghy, orientadora educacional do ensino fundamental do Colégio Rio Branco, de São Paulo.
“Do lado positivo, dependendo da abordagem do professor, os alunos abraçam a causa e chamam a criança para brincar, fazendo dela uma nova companheira.”
Farra em casa, cara fechada na escola
No quarto de Ana Beatriz, 10 anos, todo fim de tarde há uma verdadeira festa com os brinquedos da menina. Os pais dela inventam historinhas, dão gargalhadas, cantam e dançam. “Não consigo entender o motivo de ela ser expansiva com a família e com a irmã mais velha e não se soltar com os coleguinhas da mesma idade”, relata a mãe Renata, 41 anos.
“Isso ocorre e depende do perfil do colégio. Geralmente, essa situação é mais comum em escolas que apresentam uma linha de educação mais rígida”, alerta Fernanda Venelli Razuk, coordenadora pedagógica do Colégio Itatiaia, da Capital paulista.
De acordo com ela, existe a questão da exposição da criança, ou seja, enquanto os atos e brincadeiras dela em casa serão vistos só pelos pais e irmãos, no colégio haverá um grupo bem maior para vê-la, o que pode, sim, gerar certa timidez.
“Dentro de um padrão normal, isso não será problema. Afinal, muitos de nós, adultos, somos capazes de cantar, dançar e fazer caretas no banheiro ou na frente do espelho e não na frente de outras pessoas, principalmente as que não são muito íntimas.”
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Perceba seu filho
• Caso a criança não queira participar de atividades, na escola procure por outras fora do horário das aulas, mas evite algo como natação e aulas de piano. Prefira algo com que ela possa dividir experiências, como teatro ou aulas de dança em grupo;
• O computador, por exemplo, não é o melhor amigo de uma criança que tem tendência ao isolamento. Limite os horários em que ela poderá brincar na máquina;
• Se a escola sugerir que a criança faça um tratamento com um psicólogo, não resista. Esse tipo de indicação só serve para melhorar o desempenho do aluno no colégio e também em casa;
• No fim do dia, bata um papo aberto com o seu filho, questione sobre os coleguinhas de classe, o que eles gostam de brincar e de conversar. Perceba se a criança fica irritada ou feliz com o assunto.