O canto da torcida ontem, no Pacaembu, deu o real tom do que o título paulista representa para o Corinthians. O “Coringão voltou” de fato ao lugar no alto do pedestal do futebol brasileiro que lhe é direito, com a conquista invicta do campeonato estadual, selada com o empate por 1 a 1 com o Santos. Conquista liderada por um astro maior, que de certa forma também está de volta: Ronaldo chegou em dezembro passado sob desconfiança e, quase cinco meses depois, tornou-se fundamental para o time corintiano, com seu futebol ímpar e os gols que sempre soube fazer.
Ronaldo vibrou muito com a conquista, que reconhece ter sido especial. Mas reclamou por não poder comemorar como gostaria, por conta da desorganização que se seguiu ao fim da partida. “Eu queria ter um pouco mais de tranqüilidade para comemorar um título tão importante para o Corinthians e para mim especificamente”, disse o atacante. “Depois de tanta dificuldade, voltar e ter participação importante na conquista é especial.”
A conquista corintiana, a sua 26ª na história do Campeonato Paulista, recoloca de vez o clube, que um ano atrás preparava-se para disputar a Série B do Brasileiro, na elite. O Corinthians assegurou a taça após campanha de 13 vitórias e 10 empates em 23 partidas. Foi seu quinto título estadual invicto - os outros foram em 1914, 1916, 1929 e 1938. E desde o Palmeiras, em 1972, nenhum clube ganhava o Paulistão sem derrotas.
O início da festa corintiana, além do tumulto em torno de Ronaldo e da invasão do gramado do Pacaembu, foi marcado por um incidente: a mistura de fogos de artifício e papel picado no momento em que a taça era entregue ao capitão William, que tinha a seu lado o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e o ministro do Esporte, Orlando Silva, resultou num princípio de incêndio. William se assustou com o fogo, mas Andrés Sanchez jogou a taça no chão e depois controlou a situação.
A tensão daquele momento da festa não se viu durante o jogo deste domingo, num Pacaembu lotado com mais de 35 mil corintianos. O Santos, sim, estava nervoso, por conta da necessidade de tentar uma improvável vitória por três gols de vantagem. O Corinthians, por conta dos 3 a 1 que fez na partida de ida, na Vila Belmiro, pôde jogar com imensa tranquilidade.
No primeiro tempo, porém, o Corinthians optou mais por tentar impedir que o adversário marcasse do que por tentar fazer o gol. O Santos, sem alternativa, atacou bastante. No entanto, era neutralizado pela postura defensiva corintiana e pelo nervosismo e precipitação de seus próprios jogadores, notadamente o atacante Kléber Pereira, que perdeu algumas boas chances.
Ainda assim, Kléber Pereira sofreu o pênalti num lance em que tentou driblar o goleiro Felipe. Ele mesmo bateu, aos 27 minutos, e fez 1 a 0. A esperança santista, porém, durou muito ponto. Aos 33, o Corinthians conseguiu o empate, numa arrancada pela esquerda do lateral André Santos, que chutou forte, sem chances para o goleiro Fábio Costa.
Aí, com o empate, o Corinthians ganhou ainda mais tranquilidade, enquanto o Santos viu que sua missão seria mesmo impossível. Esse, inclusive, foi o panorama de todo o segundo tempo. Os jogadores santistas ainda perderam chances de gol, mas nada que assustasse a torcida corintiana.