Internacional

Gripe suína já contaminou mais de mil pessoas no mundo

Marcelo Ninio
| Tempo de leitura: 3 min

Genebra - A Organização Mundial de Saúde (OMS) reúne hoje seu Comitê Científico para tentar esclarecer pelo menos parte das muitas dúvidas que ainda cercam o vírus A (H1N1). O número de casos confirmados da doença, antes designada de gripe suína, chegou ontem a 1.085 em 21 países, incluindo 26 mortes (25 no México e uma nos Estados Unidos).

Embora a lista de países afetados continue crescendo, a OMS ainda não vê motivos de declarar estado de pandemia, já que o surto por enquanto se limita à América do Norte. Colômbia, Portugal (um caso cada) e Itália (dois) foram acrescentados à relação.

Onze dias após fazer o primeiro alerta sobre a doença, a OMS reconhece que carece de dados centrais sobre o vírus, como a origem, a velocidade de propagação e a drástica variação com que se manifesta. Fora do México, onde está a maioria dos mortos, a gripe tem sido, em geral, branda.

Uma das questões que os cientistas tentam explicar é porque o novo vírus provoca diarreia em muitos casos, o que o diferencia da gripe sazonal. Segundo Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS, entre 40% e 50% dos infectados tiveram diarreia, além de problemas respiratórios e febre.

Mesmo sem saber muito sobre o vírus, a OMS decidiu enviar 2,4 milhões de doses do medicamento antiviral Tamiflu a 72 países em desenvolvimento, que tem menos recursos para enfrentar uma epidemia. O remédio é eficaz contra gripes sazonais, mas ainda não foi testado contra o novo vírus.

Embora um dos efeitos colaterais do Tamiflu seja diarreia, justamente um dos sintomas causados pelo A (H1N1), Fukuda disse que ele continua sendo indicado contra a nova gripe. Questionado pela reportagem se há risco de o remédio agravar o sintoma, ele disse que não.

Nível de alerta

Fukuda voltou a expressar a preocupação sobre o surgimento de surtos em países do Hemisfério Sul, onde está a maior parte do Brasil, devido à proximidade do inverno, quando, tradicionalmente, cresce a incidência de gripe. “É crucial manter o alerta e a vigilância’’, disse ele. Na reunião de hoje, 20 especialistas da OMS consultarão por teleconferência cerca de 100 cientistas de vários países, entre eles o Brasil.

Na semana passada, após uma reunião semelhante, a organização decidiu elevar para cinco o nível de alerta, declarando que uma pandemia era “iminente”.

Mas em mensagem de ontem à Assembleia Geral das Nações Unidas, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, negou que haja planos imediatos de subir o alerta para o nível seis, o mais alto da escala. “Ainda não estamos lá”, disse ela.

O novo vírus H1N1 não é mais letal nem parece ser mais contagioso que a típica gripe sazonal, o chefe de epidemiologia do governo mexicano. Especialistas ainda tentam entender por que o México teve mais casos e mais mortes, mas o médico Miguel Angel Lezana, diretor do Centro Nacional de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do México, disse que o vírus não é especialmente mortal.

De acordo com ele, o que aconteceu é que o país foi apanhado de surpresa. “A virulência é muito similar à da ‘influenza’ (gripe) sazonal”, disse Lezana.

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