Polícia

Em 14 horas, 2 são mortos em Bauru

Ricardo Santana e Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 5 min

Após 35 dias sem nenhuma morte violenta, ontem Bauru teve dois homicídios. Ainda na madrugada, por volta das 5h, Fabrício da Silva, 35 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça no quintal de sua casa, no Parque Jaraguá. Catorze horas depois, o auxiliar de hidráulica João Miguel Ramirez Dias, 36 anos, foi executado com seis tiros em frente da casa onde morava, nas proximidades na área central da cidade, perto do antigo Cadeião. Em ambos os crimes, a suspeita é que o motivo tenha sido envolvimento com drogas.

Pelo levantamento do JC, Silva foi a 15.ª vítima de morte violenta na cidade neste ano e Dias, a 16.ª. Ainda ontem pela manhã a Polícia Militar (PM) prendeu Fábio Henrique Adorno, 24 anos, um dos dois acusados de matar Silva. Encaminhado ao 1.º Distrito Policial, ele foi autuado em fragrante por homicídio. O outro suspeito do crime, Eduardo César de Oliveira, estava sendo procurado pela polícia.

O delegado titular do 1.º Distrito Policial, Silberto Sevilha Martins, apurou que Oliveira e Adorno foram até a casa de Silva, conhecido por “Biscuí”, cobrar uma dívida de droga. O delegado explica que na residência de Oliveira, localizada próximo ao local do crime, foram apreendidas anotações com registro do que seria a dívida contraída por Silva. Na casa também foi apreendida uma foto de Oliveira.

O delegado explica que, provavelmente, enquanto um dos homens conversava no quintal frente a frente com Silva, o outro, ao lado, efetuou o disparo. O delegado descreve que o tiro atingiu a cabeça acima da orelha direita e saiu do outro lado, conforme sinais verificados no boné usado pela vítima.

“A impressão é que, enquanto ele (Silva) conversava com um, o outro encostou o revólver e deu o tiro”, avalia. A casa de Silva, na quadra 2 da rua Pedro Álvares Mansera, seria de propriedade de outra pessoa. “Tudo indica que o dono da boca é o César (Eduardo César de Oliveira) e o que o Fábio estava fazendo lá? É o cobrador dele. Então, provavelmente, ele seria a pessoa que teria atirado. Mas também pode ter sido o contrário”, explica Martins.

O delegado requisitou exame residuográfico nas mãos de Adorno para averiguar presença de pólvora. Com ele não foi apreendida nenhuma arma. Na hora do crime, três adolescentes de 14, 15 e 16 anos dormiam no imóvel. Conforme a polícia, os três menores não teriam informado nenhum detalhe relevante para a investigação.

Adorno foi encaminhado para a Cadeia Pública de Duartina e seria transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, onde aguardará providências da Justiça. Martins acrescentou que o acusado fez ameaças aos policiais no 1.º Distrito Policial. Familiares de Silva não quiseram comentar a morte.

Aumento

Na comparação dos quatro primeiros meses de 2008 com 2009, cresceu o número de vítimas de morte violenta em Bauru neste ano. No ano passado, foram 11 mortes no primeiro quadrimestre contra 13 neste ano - sem contar as duas ocorridas ontem, já no quinto mês do ano.

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Homem é executado a tiros na porta de casa

O auxiliar de hidráulica João Miguel Ramirez Dias, 36 anos, foi executado ontem à noite, em frente a casa onde morava, nas proximidades do antigo Cadeião, região central de Bauru. Ele foi alvejado, conforme informações preliminares da polícia, por seis tiros de calibre 38. O autor dos disparos, ainda não identificado, teria baleado a vítima quando estava a bordo de uma motocicleta.

O crime aconteceu por volta das 19h, quando Dias, de acordo com populares, chegava em casa após uma rápida saída para comprar algumas latas de cerveja – três delas foram encontradas no chão, junto a projéteis e cápsulas deflagradas. No momento em que retornava à moradia, onde vivia com a esposa e dois filhos adolescentes, ele foi surpreendido em emboscada.

Após ser atingido em frente ao portão da casa, na rua Dr. Ernesto Carvalho Aguiar, Dias ainda correu cerca de 40 metros. Ferido, deixou rastro de sangue pela calçada e caiu em frente à porta de uma auto-elétrica, já na rua Paschoal Luciano.

O corpo foi encontrado por moradores, que, a princípio, solicitaram a presença de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por acharem que se tratava de caso clínico. No entanto, constatado o homicídio, a Polícia Militar foi acionada.

A Polícia Científica fez a perícia no local e no corpo, que foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame necroscópico. O delegado plantonista da Polícia Civil, Luiz Carlos Amado, também visitou a cena do crime, onde colheu evidências – entre elas cápsulas, projéteis amassados no chão, além de uma pedra de crack, encontrada no bolso da vítima. O caso será remetido para ser aopurado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Emboscada

Ainda em estágio preliminar, as investigações da morte de João Miguel Dias apontariam, a princípio, para acerto de contas. Testemunhas relatam que, na segunda-feira, Dias teria protagonizado uma briga em um bar das redondezas. No entanto, acerto de contas, possivelmente motivado por envolvimento com entorpecentes, também pode ser o motivo do crime já que a viúva da vítima, Simone Nogueira, admitiu em relato informal à Polícia Civil, que o companheiro estaria envolvido com drogas há, aproximadamente, dois meses.

Para o delegado que colheu evidências no local, um suposto acerto de contas do tráfico parece ser a principal motivação do crime. “É provável que seja dívida de droga”, resume o delegado Luiz Carlos Amado. “A vítima era dependente”, acentua. “No entanto, exercia atividade remunerada e vivia com a família”, pondera o policial.

O casal e dois filhos, uma garota de 16 anos e um rapaz de 14 anos, moravam em Bauru, de acordo com Simone, há cerca de um ano, vindos de Campo Grande (MS), onde Dias, acrescenta a mulher, havia cumprido pena por homicídio. Vizinhos disseram que a vítima tinha personalidade tranqüila e não era de muita conversa com outros moradores da rua.

“Era apenas boa tarde, bom dia ou boa noite. Mas era tranqüilo”, descreve um morador da localidade, cuja identidade será preservada. Ele ainda disse que, após os estampidos, o autor dos tiros ainda teria demorado um certo tempo antes de empreender fuga, possivelmente, com a motocicleta.

“Ouvi seis tiros e o barulho da moto, que não foi ligada logo depois. Demorou um tempinho, acho que ele (homicida) quis estar certo (de que havia matado)”, supõe.

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