A gripe “suína” e a crise financeira internacional possuem algumas semelhanças importantes. Todos devem se lembrar do quanto à imprensa focalizou a crise internacional. Veículos de comunicação internacionais, nacionais e regionais deram ampla cobertura. Em determinados noticiosos, mais da metade do tempo era dedicado à análise das causas e até mesmo conseqüências que a crise traria às pessoas. Governo alegando que se tratava de uma “marolinha”, analistas pessimistas prognosticando um caos por anos, outros entendendo que seria de uma crise de média duração. Enfim, não houve quem não comentasse a tal de crise do “subprime”.
Agora, quem assume esse papel é a gripe denominada de “suína”. Especialistas se manifestam, alguns buscam fatos históricos de outras gripes (como no caso da crise financeira uma alusão à crise de 1929), outros dizem que já é pandemia, outros dizem que o vírus será facilmente controlado. Enfim, há pareceres para todos os gostos.
Essas duas “crises” (financeira e na saúde) são clara demonstração do quanto a humanidade, por mais que progrida e desenvolva novas tecnologias, ainda tem dificuldade em lidar com o diferente.
No caso da crise financeira, o Brasil, através do governo Federal, foi incapaz de evitar que se instalasse na sociedade uma crise de confiança. E o que é pior: demorou a agir na desoneração fiscal e na queda da taxa de juros. Ambas as medidas, adotadas meses depois do desejado, trouxeram reflexos positivos à economia nacional, mas, por serem fora de seu tempo, tardias, levaram ao crescimento do desemprego, acúmulo de estoques, inadimplência no comércio internacional brasileiro, entre outros.
No caso da gripe é hora de entender sua real dimensão, agindo preventivamente como requer momentos como esses. Se falta habilidade para tratar com o novo, com o imponderável, com o diferente, que ao menos haja um aprendizado e, desta maneira, minimizemos os efeitos que acabam afetando com maior freqüência aqueles que nada têm a ver diretamente com o problema. Se há uma relação entre a crise financeira e a gripe suína esta é o aprendizado.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, articulista e colunista do JC