Por anos seguidos, Med foi o cão de guarda e companheiro da família Henrique. Mas, após o falecimento de Manuel Henrique, aos 61 anos, em fevereiro último, a quem o cachorro era muito ligado, a viúva decidiu mudar-se de cidade e colocar o animal para adoção. Os especialistas explicam que é possível adotar um cachorro adulto e não enfrentar problemas de adaptação, desde que se tome algumas medidas.
Após anúncio com a foto de Med e a informação que ele perdera o seu dono vítima de câncer, o telefone da família tocou durante um dia todo. Dezenas de pessoas se mostraram interessadas em adotar o cão.
“Meu pai descobriu que estava com câncer, mas era tarde demais. A doença já tinha tomado várias partes do corpo. O grande problema foi que ele faleceu em casa. Então, minha mãe não quis mais ficar no local e foi morar com meu irmão em Lins”, conta um dos filhos, Paulo Alexandre Henrique.
“Como moro em apartamento, não tenho condições de ter um cachorro tão grande. Neste período, contamos com a ajuda da vizinha, a dona Sônia, que adora animais e cuidou de Med nestes meses”, explica o motivo da doação.
A família tentou encontrar alguém interessado em ficar com o cachorro entre os amigos e vizinhos. “Mas muitos têm receio, pois Med é muito grande”, revela Paulo. Após a publicação, a grande preocupação da família era encontrar alguém que realmente gostasse de cachorro e disposto a dar o mesmo carinho e atenção ao animal. “Nesta parte contamos com a ajuda da dona Sônia. Durante a manhã inteira várias pessoas foram conhecer Med e conversaram com ela. Acabamos doando para o dono de uma chácara”, conta Paulo Alexandre.
Nova casa
Quem ficou com o cachorro foi Paulo Roberto Santos Geremias. “Tenho dois cachorros em minha chácara e estava procurando um outro, de raça grande mesmo. Quando vi o anúncio, resolvi optar por um animal que estivesse precisando de um dono”, revela.
“Sei que tinha uma fila de gente querendo o Med e fico muito agradecido por terem me escolhido. Gosto de animais, tenho muito carinho, inclusive tenho um veterinário que me atende sempre que preciso”, acrescenta Paulo Roberto.
Ele afirma que sua casa está de portas abertas para os antigos donos de Med quando quiserem visitá-lo. “Sei que fica uma ligação e que podem sentir saudade. Já disse e repito que eles podem ver o cachorro quando quiserem”, finaliza.
Paulo Alexandre Henrique, o antigo dono de Med, agradece a atenção de todos os bauruenses que entraram em contato interessados na adoção.
Entre os interessados na adoção houve quem lembrasse de uma propaganda de incentivo à doação de órgãos veiculada na TV para explicitar a ligação que os animais têm com seus donos.
Na propaganda, um cachorro, que está descansando tranqüilamente no sofá, sai na calçada para observar a rua quando sente a aproximação do dono, que, na verdade, é a pessoa que recebeu o doação do coração do dono.
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Nova fase
A idéia de adotar um animal que esteja precisando de dono ou mesmo um da rua em vez de comprar um bicho que tenha todo o cuidado necessário é cada vez mais comum e louvável. Mas para adotar animal alguns cuidados devem ser tomados, principalmente quando ele já tem uma certa idade.
O médico veterinário Carlos Roberto Montassier explica que, no caso do cachorro, é possível ele se adaptar a um novo dono mesmo quando já é adulto, como Med. Para isso, é importante seguir algumas dicas. “O cachorro tem memória auditiva, visual, olfativa, de comportamento, sem contar que mantém fidelidade aos donos. O processo de adaptação do cão a um novo lar pode ser facilitado se o novo dono procurar saber qual a ração preferida do animal, do que ele gostava, como ele vivia, e criar um ambiente semelhante”, explica.
“É preciso saber trabalhar com essa adaptação. Em animais mais novos, a moldagem é mais rápida e mais fácil”, acrescenta. Além disso, é importante saber o motivo pelo qual o animal está sendo doado e qual o temperamento dele. “É importante tomar cuidado se o animal é agressivo ou não, pois isso pode colocar em risco o novo dono”, finaliza.