Após a Câmara de Bauru criticar o trabalho que vem sendo desenvolvido por uma parte do time do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), secretários tentaram minimizar ontem a atuação nas pastas e descartaram que a situação gere pressão sobre o governo. Na última segunda-feira, os vereadores usaram a tribuna para falar em reforma administrativa e a relação entre demanda e resultado neste início de gestão do peemedebista.
“Eu tenho que trabalhar. Esse tipo de coisa (crítica) se mostra com trabalho, com projeto que a gente tem, com cronograma. Tudo está sendo feito da melhor maneira possível, dentro das nossas possibilidades. Eu convido os que tiverem alguma dúvida a virem até a secretaria para ver o nosso trabalho. A secretaria não depende só das verbas, do governo, mas também da Câmara. Quando os vereadores estão do nosso lado, a população certamente ganha. O que importa também é o prefeito acreditar no meu trabalho”, afirma a secretária de Esporte e Lazer (Semel), Pollyana Teixeira.
O que Pollyana não avaliou são as críticas sobre sua falta de familiaridade com procedimentos públicos, mecanismos de gestão e obstáculos no exercício de liderança sobre a equipe. A coordenadora da Semel também é cobrada em relação ao andamento dos projetos dentro da pasta. O episódio da transferência de traves de futebol de um terreno particular para um público, na Pousada da Esperança, também expôs o improviso na pasta.
“Essas traves foram um pedido de um vereador. Fui pessoalmente avaliar a questão. Tenho foto da visita que fiz ao local. Pelo que sabia eram traves do município, que foram doadas pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), acredito não para uma ou duas pessoas, mas para a população. Existem tantas coisas importantes na secretaria para ser falada, que isso é supérfluo”, avalia.
Uma das principais críticas em relação à administração municipal é com a morosidade de projetos, como a licitação do asfalto, parte anunciada somente anteontem. “Não está faltando gestão. É que esta administração pegou uma máquina enferrujada. Além disso, as coisas na prefeitura não acontecem de uma hora para outra. O ritmo é diferente de uma empresa privada. Estamos trabalhando num ritmo acelerado para que tudo dê certo”, afirma o secretário da Administração, Renato Gragnani.
No caso de Gragnani, os obstáculos apontados nos bastidores também dão conta de dificuldades no conhecimento das rotinas e regras e ausência de abrangência sobre questões relevantes, como o controle sobre editais em um setor que gerencia e define a compra de milhões de reais em produtos e equipamentos.
Para o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Rubito Ribeiro, a troca de sugestão entre o secretariado também ajuda a contribuir na melhoria da gestão. “Aceito sugestão de outros secretários e também dou. Muitos problemas que encontramos são parecidos e, às vezes, numa conversa a gente consegue enxergar uma solução melhor.”
No caso de Rubito, pesa sobre sua condução no comando da empresa a dedicação excessiva a eventos, reuniões e discussões junto ao prefeito. Ribeiro também é visto mais no papel de “primeiro ministro” nas intervenções em diferentes frentes de ação da administração, enquanto sua gestão na Emdurb ainda escorrega em falta de domínio sobre vários gargalos.
Entretanto, mesmo com a pressão por reforma administrativa, os secretários garantem que estão trabalhando normalmente. “Não estou sentindo pressão. Estamos trabalhando e aceitando as críticas da mesma forma que os elogios. Elas (críticas) ajudam a nos posicionar”, disse Rubito.
Lembrada no Legislativo por sua posição no caso do transporte escolar, a secretária de Educação, Majô jandreice (PC do B), admitiu, durante discurso realizado anteontem, na inauguração de uma escola na Vila Garcia, que há falhas. A “juventude” de parte da equipe do governo foi comentada, em comparação com situação parecida no Legislativo. “Na Câmara também, a maioria dos vereadores é nova e está lá aprendendo. Garanto que, daqui a quatro anos, estarão muito mais preparados do que quando entraram. Assim como os demais secretários”, disse.
Para melhorar a sintonia entre as diferentes secretarias do governo de Rodrigo Agostinho (PMDB), o chefe de gabinete, Paulo Roberto Ferrari, sugere que reuniões por setor sejam feitas na prefeitura. “É impossível a gente agradar todo mundo. Os secretários têm inúmeras demandas. O prefeito tem reunido os seus secretários todo mês. Além disso, a gente tem sugerido que sejam feitas reuniões mais focadas, com a parte mais operacional, que seria Obras, e a parte mais social, como Educação, Sebes. Acredito que isso deve ser implementado.”