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Campeonato Brasileiro: Crise começa a rondar Tricolor

Giuliander Carpes
| Tempo de leitura: 2 min

Ninguém no São Paulo ousa admitir, mas a crise ronda o Morumbi. Tecnicamente, o time não consegue entusiasmar nem o torcedor mais fanático. Seu futebol antes pragmático, agora não funciona. A equipe conquistou apenas uma vitória nos últimos oito jogos - não vence desde o dia 22 de abril, quando bateu o colombiano América de Cali, por 2 a 1, na última rodada da fase de grupos da Libertadores.

Como se não bastasse o jejum de vitórias, a insatisfação parece estar espalhada por todos os escalões. Os mais incomodados são os jogadores. Depois da derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, na última quarta-feira, no Mineirão, pelas quartas-de-final da Libertadores, o atacante Borges disparou seu descontentamento em direção ao técnico Muricy Ramalho, mostrando estar insatisfeito com a reserva.

O também atacante Dagoberto foi outro que reclamou. Escolhido por Muricy como titular para o jogo contra o Cruzeiro - ocupou justamente a vaga que era de Borges -, ele disse que o time do São Paulo não está jogando bem e que os jogadores de frente estão sendo sacrificados pelo esquema tático. “A bola não chega lá na frente”, acusou. Até membros da direção do clube estão descontentes. O principal alvo das críticas é mesmo Muricy, que improvisa jogadores demais em posições diferentes e, assim como nos últimos três anos, tarda a dar um padrão de jogo à equipe. A demora pode custar, pelo quarto ano seguido, o título da Libertadores, uma verdadeira obsessão para os dirigentes e os torcedores são-paulinos. Até o presidente do clube, Juvenal Juvêncio, já manifesta inconformismo. “Não tivemos competência para buscar a vitória contra o Cruzeiro”, opinou o dirigente, que, no passado, manteve Muricy no cargo mesmo com as seguidas eliminações na Libertadores. Dessa vez, um tropeço logo nas quartas-de-final, diante do Cruzeiro, aliado à má campanha no Brasileirão, seria a gota d’água para uma mudança.

“Temos de melhorar muito. Antes do jogo contra o Cruzeiro temos nove pontos para disputar no Brasileiro. Temos de ter uma posição majoritária em relação a esses pontos”, avisou Juvenal Juvêncio, já fazendo uma cobrança pública para a reação são-paulina até o dia 17 de junho, quando enfrentará o time mineiro no jogo de volta da Libertadores, marcado para acontecer no Morumbi.

A indignação com a tendência de Muricy de insistir no improviso mesmo quando tem peças à disposição aumenta por causa de Hernanes. Jóia mais cara do São Paulo, o volante foi convertido em meia nesta temporada, deixou de ter a seu favor o fator surpresa para pegar defesas desprevenidas e tem atuado mal seguidas vezes. Nos últimos jogos, parece disperso, até abatido, bem diferente daquele que recebeu o título de melhor jogador do Brasileirão em 2009.

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