Irreverente como todo bom roqueiro, Marcelo Nova garante ao público que comparecerá ao On The Road Pub, nesta noite, apenas uma certeza: o som que sabe fazer há quase 30 anos. Criador do grupo Camisa de Vênus e antigo parceiro de Raul Seixas, o cantor e compositor apresenta-se a partir das 23h. Os convites antecipados estão à venda.
Sem render-se a roteiros prontos, Nova fará um passeio por sua trajetória no rock’n’roll brasileiro, desde seus sucessos da década de 1970 até “O Galope do Tempo”, seu último trabalho solo. “Eu não faço set list de show porque isso me entedia. Eu gosto de surpreender as pessoas e a mim mesmo. Decido com a banda o que nós vamos tocar praticamente na hora de subir no palco. Mas, por outro lado, vão ter canções de todas as épocas da minha carreira, e, de alguma maneira, sempre agrado alguém e decepciono outros”, comenta o roqueiro, em entrevista ao JC Cultura, por telefone.
Para o músico, a satisfação do palco vem, de certa maneira, dessa postura descompromissada. “Não toco esperando alguma reação das pessoas. Subo no palco e faço o que eu tenho que fazer, sem muitas preocupações. Na maioria das vezes, acabo surpreendendo.”
Apesar do suspense, músicas como “Só O Fim”, “Sílvia”, “Eu Não Matei Joana D’Arc”, “O Ponteiro Tá Subindo”, “Carpinteiro do Universo”, “Pastor João e a Igreja Invisível”, “Simca Chambord” e “Noite”, entre outras, não devem faltar.
Lançado em 2006, “O Galope do Tempo” foi resultado de 13 anos de trabalho do músico, dedicados às composições e a seleção de 16 delas. “O disco fala basicamente sobre a minha passagem através do tempo. Precisei de 13 anos para concretizar isso. Até porque, se você não deixa o tempo passar, você não pode falar sobre ele”, explica o roqueiro. “Ele começa no útero e acaba no caixão”, gosta de definir.
É também sem pressa que Marcelo Nova prepara o novo disco, que poderá chegar às lojas em outubro. “São todas músicas inéditas que estou começando a gravar. Mas, se não der para lançar até outubro, fica para o ano que vem”, adianta.
O tempo - temática do último trabalho e a quem o roqueiro não cede à pressão - é também o que intriga Marcelo Nova quando fala dos tantos anos de carreira. “É uma surpresa para quem achava que não iria chegar nem aos 40 de idade. O que mais me surpreende é ainda estar tocando, compondo e viajando. E é também o que mais me satisfaz. Gosto de estar na estrada, não trocaria isso por nada. Transformei meu hobby em profissão e sou um cara de sorte por isso”, declara o músico de 57 anos.
Para Nova, os tantos anos de música, que lhe asseguram, pelo menos, três gerações de fãs, devem-se ainda a seu texto, cada vez mais burilado, e ao amadurecimento do seu trabalho, conseqüências inerentes à passagem do tempo (olha ele aí outra vez). “Todos os artistas que respeito, de Raul a Bob Dylan, de Plínio Marcos a Brecht, têm algo em comum: são da estirpe de artista que apontam outros caminhos. Não me vejo como um desses, de jeito nenhum. Não sou um grande cantor, nem guitarrista, mas meu texto é bom. Quando era jovem pensava que era bom em tudo. Depois fui vendo que não era bem assim”, falou o músico, em entrevista recente.
No palco, Marcelo Nova contará com Fernando Peto (contra-baixo), Alessandro Veloso (guitarra) e Sérgio Duarte (bateria).
• Serviço
Marcelo Nova faz show hoje, a partir das 23h, no On The Road Pub (rua Antônio Alves, 31-64, Aeroporto). Convites antecipados à venda no local, a partir das 13h, a R$ 25,00 (1.º lote) e R$ 30,00 (2.º lote). Informações pelo telefone (14) 3227-5621.