Geral

Bauru tem dois casos de gripe suína

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 7 min

Dois irmãos adolescentes de Bauru estão internados com gripe suína - influenza A (H1N1) - no Hospital Estadual (HE) “Arnaldo Prado Curvêllo”. A menina, de 16 anos, e seu irmão, de 13 anos, tiveram o diagnóstico confirmado por exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz nas noites de anteontem e ontem, respectivamente. O caso do menino é o primeiro autóctone do Estado de São Paulo, ou seja, foi contraído dentro do País, mais especificamente, em Bauru. Segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, ambos passam bem, não correm risco de morte e não há motivo para pânico.

A adolescente voltou de um intercâmbio na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, no dia 22 de maio, e começou a apresentar os sintomas da gripe suína - influenza A (H1N1) - no dia seguinte. No entanto, procurou a unidade de saúde apenas na terça-feira passada, quando foi encaminhada ao HE, onde recebeu o diagnóstico positivo e permanece internada em isolamento. O irmão, por sua vez, adquiriu a doença por meio do contato com a menina. Ele está em isolamento hospitalar desde o último dia 27, quando procurou orientação médica. Seguindo determinação da Secretaria de Estado da Saúde, a secretaria bauruense não divulgou os nomes dos dois pacientes por questões éticas.

Monti afirmou ontem em entrevista coletiva que ambos passam bem e que a internação visa coibir a transmissão da doença. “Não é uma questão clínica, eles não estão internados pela gravidade clínica. A razão da internação é bloquear a transmissão da doença. Os dois estão bastante bem. Não há qualquer risco à vida. No início, no México, a taxa de letalidade da doença estava em 6%. Hoje, esta taxa está bastante abaixo de 1%”, afirma.

Os dois adolescentes estão isolados em quartos de pressão negativa, nos quais o ar contaminado com o vírus - a doença é transmitida por via aérea - não sai do ambiente nas aberturas de porta. O tratamento está sendo feito com antivirais específicos para a doença. Conforme já foi divulgado pelo JC, os medicamentos utilizados no tratamento da gripe influenza A (H1N1) no Brasil são o Tamiflu e fosfato de oseltamivir, que impedem a propagação do vírus da gripe no organismo.

De acordo com o secretário, os irmãos permanecerão internados enquanto estiverem dentro do período de transmissibilidade da doença, que é de sete dias para adultos e dez dias para crianças, a partir do início dos sintomas. Durante o período de internação, os pacientes podem ver televisão, ler, fazer ligações telefônicas e realizar qualquer outra atividade, desde que não deixem o quarto. Segundo Monti, os pais podem visitar os filhos durante este período de isolamento, mas devem seguir todas as normas da equipe médica que trata dos dois no que se refere à prevenção contra a transmissão da gripe.

Os demais familiares não apresentaram os sintomas da doença. No entanto, o adolescente chegou a freqüentar a escola, o que causou pânico, ontem de manhã no colégio COC.. O secretário da Saúde, no entanto, alega que não há motivo para alarde e que todas as medidas relativas ao controle sobre a doença já foram tomadas, inclusive a identificação de todas as pessoas que tiveram contato com os infectados e orientação da direção da escola.

Monti acredita ainda que o risco de uma epidemia na cidade é muito pequeno. “Nós fizemos um rastreamento em termos de tempo porque isto dos dá uma dimensão de risco de transmissão, de qual foi o período que houve de possível exposição. Constatamos que foi um tempo pequeno. A freqüência do adolescente na escola foi por um tempo de praticamente um dia. Ao que a gente sabe, em termos de infectividade, não foi uma exposição considerável”, diz.

A orientação para as pessoas que tiveram contato com os doentes é a de prestar atenção aos sintomas, que são febre alta e repentina, dores musculares e nas articulações, tosse, irritação nos olhos, coriza e dor de cabeça. No caso de apresentação deste quadro, estes indivíduos devem procurar imediatamente assistência médica.

O restante da população bauruense não deve se alarmar, garante Monti. O uso de máscaras não é necessário e as medidas de prevenção continuam as mesmas, lavar as mãos com freqüência, evitar contato próximo com pessoas doentes e cobrir o nariz e boca com um lenço quando tossir ou espirrar.

Histórico

No dia 29 de maio, uma menina de 7 anos já havia sido internada no HE com suspeitas da gripe suína - influenza A (H1N1). A criança permaneceu no quarto de pressão negativa por quatro dias e foi liberada depois que a equipe médica recebeu o laudo negativo para a doença nos exames realizados pelo Instituto Adolf Lutz.

Anteontem, outros dois pacientes suspeitos realizaram exames em Bauru. Um adulto, proveniente da Europa e residente em Jaú, e uma criança, residente nos Estados Unidos, receberam resultados negativos e foram liberados pela equipe médica.

Casos no mundo

Desde o surgimento da doença, em abril, já foram confirmados 16.670 casos e 113 mortes causadas pela gripe influenza A (H1N1) em todo o mundo. Os países mais afetados são México, 4.974 casos e 95 mortes; Estados Unidos, 8.975 casos e 15 mortes; e Canadá, 1.118 casos e duas mortes.

No Brasil, há 16 casos confirmados da doença. São sete em São Paulo, cinco no Rio de Janeiro, dois em Santa Catarina, um em Minas Gerais e um no Rio Grande do Sul. No momento há 18 casos suspeitos, 20 outras pessoas estão sendo monitoradas, em nove Estados. Nenhuma morte foi registrada no País e 333 suspeitas da doença foram descartadas.

____________________

HE está preparado

O Hospital Estadual (HE) “Arnaldo Prado Curvêllo” é referência no tratamento da gripe suína - influenza A (H1N1) - para Bauru e outros 67 municípios que integram o Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6). Para tal, possui uma equipe de quatro infectologistas especializados no tratamento da doença, recebe o medicamento Tamiflu da Secretaria de Estado da Saúde, está autorizado a colher material para exames confirmatórios e possui 16 quartos com pressão negativa, sendo este o principal diferencial.

O ambiente desses quartos é mantido, através de aparelhos, sob pressão negativa (menor que a pressão atmosférica normal). Com isso, o ar contaminado com o vírus - a doença é transmitida através das vias aéreas - não sai do quarto devido a essa diferença de pressão. Por segurança, cada quarto dispõe ainda de uma antecâmera, também mantida em pressão negativa. Isto faz com que, no momento da abertura da porta, o ar infectado não chegue nem mesmo aos corredores da unidade. Filtros especiais localizados no teto são utilizados para possibilitar a saída de ar e eliminar os germes. As janelas são lacradas.

____________________

Loja vende mil máscaras em uma manhã

Uma loja de Bauru que comercializa produtos cirúrgicos vendeu mil unidades de máscaras das 9h às 14h de ontem. A procura incomum aconteceu por parte de pais assustados com a possibilidade dos filhos contraírem a gripe suína, após serem informados que dois irmãos tiveram a doença confirmada e estão internados no Hospital Estadual (HE) “Arnaldo Prado Curvêllo”. Em outras quatro lojas do ramo consultadas pela reportagem não houve alteração nas vendas.

“Teve um aumento grande nas vendas hoje. Parece que aconteceu algo em uma escola. Vendemos mil unidades. Têm muitos pais ligando para saber quanto custa. O estoque está até acabando, mas já fizemos pedido”, conta a vendedora Aline Cristina Borges Gonçalves.

A caixa com 50 máscaras custa R$ 6,90, mas também são vendidos pacotes com cinco unidades a R$ 1,00. No entanto, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, afirma que a utilização de máscaras não é necessária.

“Elas (máscaras cirúrgicas comuns) não são filtros potentes. Filtro potente seria aquele material que não deixa passar grande quantidade de vírus. A gramatura destas máscaras comuns é bastante larga e este espaço é bastante maior que um vírus, por isto não são 100% eficazes. Para a pessoa que tem o vírus, ela é eficaz. Mas não é eficaz no sentido de quem vai receber o vírus. Não seria aconselhável utilizar essas máscaras”, diz.

O secretário também se manifestou quanto ao pânico pela manhã no colégio do adolescente. “Tão logo tomamos conhecimento da situação (confirmação de um caso e suspeita do outro), contatamos a escola, que tomou a iniciativa de fazer uma orientação hoje (ontem) para os seus alunos. Foi a partir desta orientação que gerou uma situação de pânico a partir dos próprios estudantes. Houve uma procura da escola à Secretaria da Saúde no sentido do fornecimento de máscaras. Embora não fosse uma medida preconizada por nós no momento, nós achamos por bem atendê-la até como forma de aumentar a tranqüilidade em torno desta questão, mas não foi o que aconteceu”, explica.

Comentários

Comentários